Papa ao novo embaixador da Indonésia

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CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 20 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Publicamos o discurso que Bento XVI dirigiu ao novo embaixador da Indonésia junto da Santa Sé, por ocasião da apresentação das cartas credenciais, dia 12 de novembro de 2007.




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Excelência

É-me grato dar-lhe as boas-vindas ao Vaticano, no momento em que apresenta as Cartas mediante as quais é acreditado como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República da Indonésia junto da Santa Sé. Agradeço-lhe calorosamente as saudações que Vossa Excelência me transmitiu da parte do governo e do povo indonésio, e peço-lhe que tenha a amabilidade de comunicar as minhas saudações pessoais ao Presidente Susilo Bambang Yudhoyono, juntamente com a certeza das minhas preces pela paz e pela prosperidade da nação e dos seus cidadãos.

Vossa Excelência falou sobre o empenhamento da Indonésia na busca de políticas destinadas ao progresso das nobres finalidades da democracia e da harmonia social, inseridas na constituição e eloquentemente expressas na filosofia nacional da Pancasila. Esta determinação, que exige sacrifício, esforços decisivos para discernir e promover o bem comum, e a cooperação de todos os grupos políticos e sociais, é indispensável para superar as forças da polarização e do conflito, promovendo a renovação da vida económica e consolidando uma justa ordem democrática no pleno respeito pelos direitos de cada indivíduo e da comunidade.

Sem dúvida, no presente uma das mais graves ameaças contra o apreciado ideal indonésio da unidade nacional é o fenómeno do terrorismo internacional. Valorizo profundamente a confirmação da posição do seu governo na condenação da violência terrorista, sob qualquer pretexto que se venha a verificar, como uma ofensa criminosa que, devido ao seu desprezo pela vida e liberdade do homem, debilita os próprios fundamentos da sociedade. Um exemplo é quando o santo nome de Deus é invocado como uma justificação para estes gestos. A Igreja a todos os níveis, em fidelidade ao ensinamento do seu Mestre, condena de modo inequívoco a manipulação da religião para finalidades políticas, enquanto exige a aplicação das leis humanitárias internacionais em todos os aspectos da luta contra o terrorismo (cf. Mensagem para o dia mundial da paz de 2007, n. 14).

A Indonésia, como um país multirreligioso com a maior população muçulmana entre as nações do mundo, desempenha um papel importante e positivo na promoção da cooperação inter-religiosa, tanto dentro dos seus confins como no seio da comunidade internacional. O diálogo, o respeito pelas convicções do próximo e a colaboração ao serviço da paz são os instrumentos mais seguros para garantir a concórdia social. Estas são algumas das mais nobres finalidades que podem reunir homens e mulheres de boa vontade e, de maneira particular, todos os adoradores do único Deus, que é o Criador e o Senhor beneficente de toda a família humana.

A este propósito, um desenvolvimento promissor é representado pelos crescentes exemplos de cooperação entre cristãos e muçulmanos na Indonésia, visando de modo particular a prevenção dos conflitos étnicos e religiosos nas regiões mais complicadas.

Não obstante representem uma minoria, os católicos da Indonésia desejam participar plenamente na vida da nação, "em vista de contribuir para o progresso material e espiritual da sociedade, e ser fonte de coesão e harmonia" (cf. Discurso ao corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé, 8 de Janeiro de 2007). Através da sua rede de instituições educativas e de assistência à saúde, eles procuram oferecer um serviço significativo aos irmãos e às irmãs, independentemente da religião e de incutir os valores éticos fundamentais para o autêntico progresso cívico e a coexistência pacífica.

Enquanto o seu direito ao livre exercício da própria religião, em completa igualdade com os seus concidadãos, for garantido pela constituição nacional, a salvaguarda deste direito humano fundamental exige uma vigilância constante da parte de todos. A este propósito, observo que recentemente a Indonésia subscreveu o Pacto internacional sobre os direitos civis e políticos, e estou persuadido de que isto há-de ajudar a consolidar a liberdade e a autonomia legítima dos cristãos individualmente e das suas instituições.

Agora que a Indonésia está a ocupar um lugar como membro não permanente do conselho de segurança da Organização das Nações Unidas, aproveito a ocasião para expressar a minha confiança em que os princípios inspiradores das suas políticas nacionais de pacificação, de diálogo e de tolerância hão-de tornar a Indonésia capaz de oferecer uma contribuição fecunda para a solução dos conflitos planetários e para a promoção de uma paz alicerçada na solidariedade internacional e na solicitude pelo desenvolvimento integral dos indivíduos e das populações.

Excelência, no momento em que assume a missão de representar a República da Indonésia junto da Santa Sé, peço-lhe que queira aceitar os meus melhores votos pessoais pelo bom êxito do seu importante trabalho. Tenha a certeza de que poderá contar sempre com os departamentos da Santa Sé, que o assistirão e ajudarão no cumprimento das suas altas responsabilidades. Sobre Vossa Excelência, a sua família e todo o querido povo indonésio, invoco cordialmente as abundantes bênçãos de Deus todo-poderoso.
 
[Tradução ao português distribuída pela Santa Sé
© Copyright 2007 - Libreria Editrice Vaticana]