Papa aos cristãos de Roma: “sede pedras vivas”

Intervenção por ocasião do Ângelus

| 2273 visitas

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 30 de junho de 2009 (ZENIT.org).- Oferecemos a seguir as palavras do Papa durante a oração do Ângelus, ontem, por ocasião da Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, com os peregrinos congregados na Praça de São Pedro.

 ***

Queridos irmãos e irmãs: 

Hoje celebramos solenemente os santos apóstolos Pedro e Paulo, Patronos especiais da Igreja de Roma: Pedro, o pescador da Galileia, que “primeiro confessou a fé em Cristo... e constituiu a primeira comunidade com os justos de Israel”; Paulo, o antigo perseguidor dos cristãos, “que iluminou as profundidades do mistério... o mestre e doutor, que anunciou a salvação a todos os povos” (Cf. Prefácio da Missa de hoje). Em uma homilia sua à comunidade de Roma, o Papa São Leão Magno afirmava: “Estes são seus Pais e verdadeiros Pastores, que a fundaram para que se inserisse assim no reino celeste” (Sermão I in Nat. App Petri el Pauli, c I, PL 54, 422). Por ocasião desta festa, quero dirigir uma calorosa e especial saudação, unido aos fervorosos votos de felicitação, à comunidade diocesana de Roma, que a Providência divina confiou a meus cuidados, como sucessor do apóstolo Pedro. É uma saudação que estendo com prazer a todos os habitantes de nossa cidade e aos peregrinos e turistas que nestes dias a estão visitando, coincidindo com o encerramento do Ano Paulino. 

Queridos irmãos e irmãs, o Senhor vos abençoe e proteja por intercessão dos Santos Pedro e Paulo! Como vosso Pastor, exorto-vos a permanecer fiéis à vocação cristã e a não vos conformar à mentalidade deste mundo – como escrevia o apóstolo dos gentios precisamente aos cristãos de Roma –, mas a deixar-vos sempre transformar e renovar pelo Evangelho, para seguir o que é verdadeiramente bom e agradável a Deus (Cf. Rm 12, 2). Por isto rezo constantemente, para que Roma mantenha viva sua vocação cristã não só conservando inalterado seu imenso patrimônio espiritual e cultural, mas também para que seus habitantes possam traduzir a beleza da fé recebida em formas concretas de pensar e agir, e ofereçam assim, a todos que, por diferentes razões, chegam a esta Cidade, uma atmosfera cheia de humanidade e de valores evangélicos. Portanto – nas palavras de São Pedro – vos convido, queridos irmãos e irmãs discípulos de Cristo, a ser “pedras vivas”, unidas ao redor d’Ele, que é a “pedra viva, rejeitada pelos homens, mas eleita e preciosa perante Deus” (Cf. 1 Pedro 2, 4).

A solenidade de hoje reveste também um caráter universal: expressar a unidade e a catolicidade da Igreja. Por isso, a cada ano, nesta data, vêm a Roma os novos arcebispos metropolitanos para receber o Pálio, símbolo de comunhão com o Sucessor de Pedro. Renovo portanto minha saudação aos irmãos no Episcopado pelos quais realizei nesta manhã na Basílica este gesto e aos fiéis que os acompanharam. Saúdo também com viva cordialidade a Delegação do Patriarcado de Constantinopla que, como todos os anos, vem a Roma para a celebração dos Santos Pedro e Paulo. A comum veneração destes Mártires seja prenda de uma comunhão cada vez mais plena e sentida entre os cristãos de todas as partes do mundo. Invocamos por isto a intercessão maternal de Maria, Mãe da única Igreja de Cristo, com a tradicional recitação do Ângelus. 

[Depois do Ângelus]

Está próxima a publicação de minha terceira Encíclica, que leva por título Caritas in veritate. Retomando os temas sociais contidos na Populorum progressio, escrita pelo Servo de Deus Paulo VI em 1967, este documento – que leva a data precisamente de hoje, 29 de junho, solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo – quer aprofundar alguns aspectos do desenvolvimento integral de nossa época, à luz da caridade na verdade. Confio a vossa oração esta ulterior contribuição que a Igreja oferece à humanidade em seu empenho por um progresso sustentável, no respeito pleno da dignidade e nas exigências reais de todos. 

[Tradução de ZENIT

© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]