Papa aos jovens em Assis: Abri as portas a Cristo, sem medo

Grande festa em Assis

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ASSIS, segunda-feira, 18 de junho de 2007 (ZENIT.org).- Bento XVI concluiu sua peregrinação a Assis desse domingo com um emotivo encontro com mais de dez mil jovens congregados na praça que se encontra junto à Basílica de Santa Maria dos Anjos, na qual os convidou a abrir de par em par as portas de seu coração a Cristo.



Apesar de uma jornada intensa, o Papa respondeu às questões que dois jovens lhe propuseram, deixando os papéis de lado em várias ocasiões e prolongando o encontro por mais de meia hora.

Um dos jovens, Marco Giuliani, reconheceu ante o Papa: «temos mil questões e nos custa encontrar respostas convincentes; sentimos a tentação de pensar que não existe a verdade, que cada um tem sua verdade».

«Obviamente gostamos de estar alegres, mas também nós sentimos como o Papa que a pura diversão não nos torna felizes. Ajude-nos, Santo Padre, a compreender e fazer nossa a experiência de Francisco.»

Outra moça, Ilaria Perticoni, reconheceu: «Santo Padre, Francisco é fascinante, mas não é fácil segui-lo, imitá-lo».

Bento XVI respondeu explicando que «São Francisco fala a todos, mas sei que exerce uma atração especial entre vós, os jovens. O que me confirma isso é vossa presença tão numerosa, assim como os questionamentos que me propusestes».

«Sua conversão aconteceu quando ele se encontrava em plena vitalidade, na plenitude de suas experiências, de seus sonhos -- acrescentou. Ele havia passado 25 anos sem ter encontrado o sentido da vida. Poucos meses antes de morrer, recordaria esse período como o tempo no qual estava em pecado.»

«Infelizmente, não faltam -- mais ainda, são muitos, demasiados!-- os jovens que buscam paisagens mentais fátuas e destrutivas nos paraísos artificiais da droga.»

«Como negar que há muitos jovens, e não só jovens, que sentem a tentação de seguir de perto a vida do jovem Francisco antes de sua conversão? Nesse modo de vida se dava o desejo de felicidade que todo coração humano alberga. Mas, essa vida podia dar a verdadeira alegria? Certamente Francisco não a encontrou.»

«Vós mesmos, queridos jovens, podeis verificar a partir de vossa experiência. A verdade é que o finito pode dar-vos momentos de alegria, mas só o Infinito pode encher o coração.»

Francisco, explicou o Papa, «experimentou em seu coração a voz de Cristo e, o que acontece? Compreende que tem de colocar-se ao serviço dos irmãos, sobretudo dos que mais sofrem», «os leprosos».

«Tocado pela graça, abriu-lhes seu coração. E não só o fez através de um piedoso gesto de esmola, seria muito pouco, mas beijando-os e servindo-os. Ele mesmo confessa que o que antes lhe era amargo, converteu-se em algo ‘doce para a alma e o corpo’.»

Deixando de lado os papéis, o Papa explicou aos jovens que, como no caso do fundador dos franciscanos, a bússola de sua vida deve ser a verdade, pois sem verdade também a paz perde seu fundamento.

«Este aspecto de sua vida é de grande atualidade, em um mundo que tem tanta necessidade de paz e que não consegue encontrar o caminho», afirmou.

«Francisco foi um homem de paz e um agente de paz. E o mostrou também com sua mansidão, sem calar nunca sua fé frente a homens de outros credos, como o demonstra seu encontro com o sultão», afirmou.

«Se hoje o diálogo inter-religioso, especialmente após o Concílio Vaticano II, converteu-se em patrimônio comum e irrenunciável da sensibilidade cristã, Francisco pode ajudar-nos a dialogar autenticamente, sem cair em uma atitude de indiferença ante a verdade ou atenuando nosso anúncio cristão», afirmou.

«A fonte de sua dimensão de homem de paz, de tolerância, de diálogo nasce da experiência de Deus-Amor.»

«Chegou a hora de jovens que, como Francisco, saibam entrar em uma relação pessoal com Jesus. Chegou a hora de conceber a história desse terceiro milênio, que acaba de começar, como uma história que tem mais necessidade que nunca do fermento do Evangelho», exclamou.

«Abri as portas para Cristo», disse. «Abri-as, como Francisco fez, sem medo, sem cálculos, sem medida. Sede minha alegria, queridos jovens, como fostes a de João Paulo II.»

O Papa concluiu convidando os jovens à Santa Casa de Loreto, o santuário nacional italiano que se encontra na costa adriática, no início de setembro, por ocasião da celebração do «Ágora dos jovens italianos».