Papa aos jovens: «Venerai a Cruz, ainda que isso traga escárnio e perseguição»

Confia-lhes dois tesouros, a Confirmação e o sinal da cruz

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PARIS, sábado, 13 de setembro de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI fez um chamado aos jovens franceses para que venerem o sinal da cruz, ainda que isso traga consigo «escárnio e até mesmo perseguição», durante seu discurso dirigido a milhares de rapazes e moças reunidos na região da catedral de Notre Dame.

Diante deles, e antes de iniciar a Vigília de oração, o Papa quis confiar aos jovens «dois tesouros, o Espírito Santo e a Cruz», em um discurso repleto de referências à Jornada Mundial da Juventude de Sydney, ocorrida em julho passado.

«Muitos de vocês levam pendurada no pescoço uma corrente com uma cruz. Também eu carrego uma, como por outro lado, todos os Bispos. Não é um adorno nem uma jóia. É o precioso símbolo de nossa fé, o sinal visível e material do vínculo com Cristo», explicou o Papa.

Para os cristãos, a cruz é «símbolo da sabedoria de Deus e seu amor infinito revelado no dom redentor de Cristo morto e ressuscitado para a vida do mundo», explicou o Papa, mas também «o testemunho mudo dos sofrimentos dos homens e, ao mesmo tempo, a expressão única e preciosa de todas as suas esperanças».

São Paulo, continuou Bento XVI, «chegou à conclusão de que a Cruz manifesta a lei fundamental do amor, a fórmula perfeita da vida verdadeira».

«Que esta descoberta impressionante lhes alente a respeitar e venerar a Cruz», afirmou o Papa, entregando-a aos jovens como um tesouro.

«Queridos jovens, sei que venerar a Cruz às vezes também traz consigo o escárnio e até mesmo a perseguição. A Cruz coloca em perigo, em certa medida, a segurança humana, mas manifesta, também e sobretudo, a graça de Deus e confirma a salvação».

O Papa desejou que «a alguns o aprofundamento no mistério da Cruz lhes permita descobrir o chamado a servir a Cristo de maneira mais total na vida sacerdotal ou religiosa».

A importância da Confirmação

Sobre o «segundo tesouro», o Papa recordou novamente a Jornada Mundial da Juventude: «Sydney fez a muitos jovens redescobrirem a importância do Espírito Santo na vida do cristão», afirmou.

«Todos buscam amar e serem amados. Vocês precisam voltar a Deus para aprender a amar e para terem a força de amar. O Espírito, que é Amor, pode abrir seus corações para receberem o dom do amor autêntico».

«Todos buscam a verdade e querem viver dela. Cristo é a verdade», acrescentou o Papa.

«Confiem no Espírito Santo para descobrir Cristo. O Espírito é o guia necessário da oração, a alma de nossa esperança e o manancial da genuína alegria».

Para aprofundar nisto, o pontífice convidou os jovens a «meditarem na grandeza do sacramento da Confirmação que receberam e que lhes introduz em uma vida de fé adulta».

«É urgente compreender cada vez melhor este sacramento», explicou, que «lhes faz compreender quem é Deus» e «lhes convida a ver no próximo o irmão que Deus lhes deu para viver em comunhão com ele, humana e espiritualmente, para viver, portanto, como Igreja».

«Vocês estão na idade da generosidade. É urgente falar de Cristo em seu redor, a suas famílias e amigos, em seus lugares de estudo, de trabalho ou de descanso. Não tenham medo. Tenham a coragem de viver o Evangelho e a audácia de proclamá-lo», acrescentou o Papa.

«Quero lhes dizer que confio em vocês, queridos jovens, e que quero que experimentem hoje e amanhã a estima e o afeto da Igreja», concluiu.

Após o Papa ter deixado a catedral, a vigília continuou para os jovens em Notre Dame e nas paróquias ao redor, até tarde da noite. O arcebispo de Paris, cardeal André Vingt-Trois, presidiu uma oração.

Depois, formou-se um «caminho de luz» com uma procissão de tochas, que começou em Notre Dame e terminou na Esplanada dos Inválidos, na margem esquerda do Sena.