Papa apresenta Santa Maria Madalena de Pazzi, «mestra de espiritualidade» para todos

Carta pelo IV centenário do falecimento da mística de Florença

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CIDADE DO VATICANO/FLORENÇA, terça-feira, 29 de maio de 2007 (ZENIT.org).- A mística italiana Santa Maria Madalena de Pazzi tem o dom, para todos, «de ser mestra de espiritualidade -- afirma Bento XVI --, particularmente para os sacerdotes», por quem teve especial predileção.

No IV centenário da morte da santa carmelita, o Papa anima a que as celebrações por este aniversário «contribuam para dar a conhecer cada vez mais esta luminosa figura, que a todos manifesta a dignidade e a beleza da vocação cristã».

«Assim como na vida, tocando aos sinos, chamava seus irmãos de comunidade com o grito: ‘Vinde amar o Amor!’, que a grande mística, desde Florença, desde seu seminário, desde os mosteiros carmelitas que se inspiram nela, possa ainda hoje fazer ouvir sua voz em toda a igreja, difundindo o anúncio do amor de Deus por toda criatura humana», deseja o Santo Padre.

São palavras que Bento XVI dirige em uma carta ao cardeal Ennio Antonelli, arcebispo de Florença (Itália). O purpurado as leu na sexta-feira passada, na celebração eucarística, na catedral local, pela carmelita, nascida em 2 de abril de 1566 e falecida em 25 de maio de 1607.

Em sua carta, o Papa aprofunda na biografia da santa florentina, «figura emblemática de um amor vivo que remete à essencial dimensão mística de toda vida cristã», e dá graças a Deus pelo dom da religiosa, «que cada geração redescobre especialmente próxima em saber comunicar um ardente amor por Cristo e pela Igreja».

Batizada com o nome de Catarina, desde menina teve uma especial sensibilidade pela vida sobrenatural e se sentiu atraída ao colóquio íntimo com Deus.

Fez a Primeira Comunhão pouco antes de completar dez anos; dias depois se entregou para sempre ao Senhor com uma promessa de virgindade.

De nobre família, manteve o desejo de assemelhar-se mais «a seu Esposo crucificado» -- escreve Bento XVI -- e amadureceu a decisão de deixar o mundo e entrar no Carmelo de Santa Maria dos Anjos, onde em 1583 recebeu o hábito da comunidade e o nome de irmã Maria Madalena.

Um ano depois, gravemente enferma, pediu para pronunciar a profissão antes do tempo estabelecido. Na Solenidade da Santíssima Trindade -- 27 de maio de 1584 --, levada ao coro em uma maca, emitiu para sempre ante o Senhor seus votos de castidade, pobreza e obediência.

«Desde este momento teve início uma intensa época mística» -- recorda o Papa --, da qual procede a fama dos êxtases da jovem religiosa.

Também passou por longos anos de purificação interior, entre provas e grandes tentações, um contexto no qual se marca seu ardente compromisso pela renovação da Igreja.

«Como Catarina de Sena, ela se sentiu ‘obrigada’ a escrever algumas cartas para pedir ao Papa, aos cardeais da Cúria, a seu arcebispo e a outras personalidades eclesiásticas um decidido empenho para a ‘Renovação da Igreja’, como diz o título do manuscrito que as contém»; foram doze cartas ditadas em êxtase, «talvez nunca enviadas, mas que permanecem como testemunho de sua paixão pela ‘Sponsa Verbi’ [Esposa do Verbo, a Igreja, ndr]», aponta Bento XVI.

Sua dura prova terminou em Pentecostes de 1590; pôde então se dedicar com toda energia ao serviço da comunidade, em particular à formação das noviças.

A Irmã Maria Madalena teve o dom de viver a comunhão com Deus de uma forma cada vez mais interiorizada, convertendo-se em ponto de referência para toda a comunidade, que até hoje continua considerando-a como uma «mãe».

«O amor purificado que batia em seu coração lhe abriu ao desejo da plena conformidade com Cristo, seu Esposo, até compartilhar com Ele o padecimento da cruz», sublinha o Papa.

A enfermidade a fez sofrer intensamente os três últimos anos de sua vida, que concluiu na terra em 25 de maio de 1607. Menos de duas décadas depois, o Papa Urbano VIII a proclamou beata. Em 1669, Clemente IX a incluiu no catálogo dos santos.

Seu corpo incorrupto é meta de peregrinações constantes.

O mosteiro onde a santa viveu é atualmente sede do seminário arcebispal de Florença, que a venera como padroeira. A cela que ocupou é agora uma capela.

«Santa Maria Madalena de Pazzi permanece como uma presença espiritual para as carmelitas da antiga observância -- assinala Bento XVI --, que vêem nela a ‘irmã’ que percorreu inteiramente a via da união transformadora com Deus e que indica em Maria a ‘estrela’ do caminho da perfeição.»

«Para todos, esta grande santa tem o dom de ser mestra de espiritualidade, especialmente para os sacerdotes, pelos quais alimentou sempre uma verdadeira paixão», conclui.