Papa às vítimas do terremoto: "Vocês não estão sozinhos!"

Bento XVI cita o Salmo 46: "Deus é nosso refúgio e fortaleza"

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Lucas Marcolivio

ROVERETO DI NOVI, terça-feira, 26 de junho de 2012 (ZENIT.org) - Durou poucas horas a visita do papa Bento XVI às vítimas do terremoto na região italiana da Emilia Romagna. Rovereto di Novi, na província de Módena, foi escolhida como destino do Santo Padre por ser uma das comunidades eclesiais mais feridas: debaixo dos escombros da paróquia, derrubada durante o segundo terremoto que atingiu a região, morreu o pároco Ivan Martini.

No discurso de boas-vindas, o governador da Emilia Romagna, Vasco Errani, compartilhou com Bento XVI uma “comovida lembrança” das vítimas dos terremotos de 20 e 29 de maio. Entre elas, o governador citou o padre Martini, "testemunha de um compromisso da Igreja e de uma verdadeira proximidade espiritual dos mais pobres e dos que mais sofrem. Nestes dias, este exemplo ajuda a aliviar a dor de muitas feridas".

Diante do desafio de reconstrução, Errani disse ao papa: "Nestes dias difíceis, Santo Padre, a sua oração, a sua solidariedade e a sua visita de hoje nos confortam e nos dizem que podemos e devemos vencer este desafio".

O arcebispo de Bolonha, cardeal Carlo Caffarra, também se pronunciou: "Estamos certos, Santidade, de que a sua presença é um sinal de proximidade, que nos comove profundamente, e de que a sua palavra será de conforto e de esperança".

Depois de mencionar os grandes e generosos esforços de autoridades civis e militares, sacerdotes e leigos de toda a população da Emilia, o cardeal citou palavras que ouviu de uma criança: "Há muitas rachaduras nas nossas casas, mas nenhuma em nossos corações".

"Mesmo severamente flageladas, as pessoas estão descobrindo uma unidade mais verdadeira e profunda", continuou Caffarra, pedindo ao Santo Padre que, com a sua presença e suas palavras, ajude os afetados pelo desastre a "viverem este momento tão triste e difícil à luz da fé e da esperança, que nunca decepcionam".

Bento XVI afirmou que está próximo das vítimas do terremoto "na oração e no interesse". Observado que "a provação se tornou mais dura", o Santo Padre ressaltou a necessidade "cada vez mais forte" de comparecer pessoalmente à região. "Eu sabia que, além de sofrer as consequências materiais, vocês foram testados na sua alma”.

Bento XVI prestou tributo ao padre Martini com uma saudação especial a todos os sacerdotes locais: "Vocês estão mostrando, como já aconteceu em outros momentos difíceis na história desta terra, o seu amor generoso pelo povo de Deus".

Nos últimos dias, rezando o breviário, o papa meditou em particular sobre o Salmo 46: "Deus é nosso refúgio e fortaleza / ajuda infalível nos apuros / Por isso não tememos, ainda que a terra trema / ainda que as montanhas se abalem no profundo do mar "(Sl 46,2-3). Versículos, disse ele, que "nos golpeiam fortemente, porque tocam a nossa realidade, dando voz a uma experiência que vocês estão vivendo agora e que é compartilhada por todos aqueles que rezam".

As palavras do Salmo 46 são significativas "pelo que dizem sobre a nossa atitude interna diante da revolta da natureza: uma atitude de grande segurança, com base na rocha estável e irremovível que é Deus".

Não é fácil superar os medos. “Mas”, explicou o papa, “o salmo não se refere a esse tipo de medo, e a segurança que ele reafirma não é a de super-homens que não são tocados pelos sentimentos normais". Mesmo em situações tão extremas, em que o medo e a ansiedade são abundantes, "permanece acima de tudo a certeza de que Deus está conosco; como o pequenino que sempre sabe que conta com a mãe e com o pai, porque se sente amado e querido, aconteça o que acontecer".

Nós somos "pequenos" e "frágeis", mas "seguros nas mãos de Deus, confiados ao seu amor que é sólido como uma rocha. Este Amor nós vemos em Cristo crucificado, sinal ao mesmo tempo de tristeza e de amor. É a revelação de Deus Amor, solidário conosco até na extrema humilhação".

A Itália do pós-guerra foi reconstruída "especialmente por causa da fé de muitas pessoas animadas por um espírito de verdadeira solidariedade, pela disposição de dar um futuro às famílias, um futuro de liberdade e de paz". Hoje também é possível a reconstrução, encorajou o papa.

O terremoto na Emilia Romagna, disse o pontífice aos fiéis, "não deve e não pode abalar o que vocês são como povo, a sua história e a sua cultura". Bento XVI instou os emilianos a permanecerem "fiéis" à sua "vocação de solidariedade e de povo irmão", enfrentando "todas as coisas com paciência e determinação, resistindo às tentações que, infelizmente, estão associadas a estes momentos de fraqueza e de necessidade".

"Vocês não estão nem estarão sozinhos! Ao olhar para a sua terra, senti uma emoção profunda diante de tantas feridas, mas também vi muitas mãos que querem tratá-las junto com vocês. Eu vi que a vida recomeça, quer recomeçar com força e coragem, e este é o sinal mais belo e brilhante".

Um apelo final foi dirigido pelo Santo Padre às "instituições" e a "todos os cidadãos" para que se comportem "como o bom samaritano do Evangelho, que não passa indiferente pelos necessitados, mas, com amor, se inclina, socorre, permanece ao lado, cuidando até o fim das necessidades dos outros".

O papa reiterou a proximidade da Igreja às vítimas do terremoto, especialmente através da Caritas, "que também se dedica à reconstrução do tecido social das paróquias".

(Trad.ZENIT)