Papa Bento promete "incondicional reverência e obediência" ao sucessor

O Santo Padre se despede definitivamente do colégio dos cardeais

Roma, (Zenit.org) Luca Marcolivio | 1040 visitas

É o epílogo de um pontificado de oito anos. Na manhã de hoje, 28 de fevereiro, às 11 horas, a Sala Clementina do Palácio Apostólico Vaticano abrigou o último encontro do papa Bento XVI com os cardeais presentes em Roma, para a saudação de despedida.

Em nome de todos, o cardeal Angelo Sodano, decano do colégio de cardeais, manifestou a "profunda gratidão" de todos os purpurados pelo "testemunho de abnegado serviço apostólico" demonstrado pelo papa "para o bem da Igreja de Cristo e de toda a humanidade".

Sodano concluiu o discurso comparando a experiência do colégio dos cardeais ao lado do papa Ratzinger com a dos discípulos de Emaús, que, "depois de caminhar com Jesus durante um bom trecho de estrada, disseram um para o outro: Não é que ardia o nosso coração enquanto ele nos falava ao longo do caminho? (Lc 24,32)".

O ex-secretário de Estado vaticano agradeceu ao Santo Padre com a expressão alemã "Vergelt’s Gott": "que Deus lhe pague".

Voltando a mencionar a citação evangélica feita por Sodano, o papa declarou: "Também para mim foi uma alegria caminhar com vocês durante os últimos anos, na luz do Senhor ressuscitado". Bento XVI agradeceu aos cardeais pela proximidade e pelos conselhos durante os oito anos de seu pontificado.

O papa exortou os cardeais a orarem para que "o colégio cardinalício seja como uma orquestra, onde a diversidade, expressão da Igreja universal, contribua sempre para a maior harmonia e concórdia".

Citando Romano Guardini, que definiu a Igreja como uma instituição não “construída em teoria”, mas sim “realidade viva”, Bento XVI confidenciou que viu, na última audiência geral realizada na manhã de ontem, uma Igreja que é "um corpo vivo, animado pelo Espírito Santo", que "realmente vive da força de Deus".

A Igreja, como também afirmou Guardini, "desperta nas almas" que, "a exemplo da Virgem Maria, acolhem a Palavra de Deus e a concebem pelo poder do Espírito Santo", continuou o papa. Essas almas "oferecem a Deus a própria carne e, precisamente na sua pobreza e humildade, se tornam capazes de gerar o Cristo no mundo de hoje".

O Santo Padre convidou os cardeais a permanecerem unidos com ele "na oração e especialmente na eucaristia diária", em espírito de serviço à Igreja e à humanidade inteira. "Esta é a nossa alegria, que ninguém pode tirar de nós", enfatizou.

Antes de cumprimentar pessoalmente os cardeais e de dar a bênção apostólica, Bento XVI assegurou suas orações para que eles sejam "dóceis à ação do Espírito Santo na eleição do novo papa", a quem prometeu "reverência e obediência incondicional" .