Papa denuncia aborto como ferida e pede apoio para mulher e família

Em seu discurso aos membros do Movimento pela Vida

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Por Marta Lago

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 12 de maio de 2008 (ZENIT.org).- «Não só não resolveu os problemas que afligem muitas mulheres e a não poucos núcleos familiares», mas a permissão do aborto «abriu uma ulterior ferida em nossas sociedades, já lamentavelmente afetadas por profundos sofrimentos», denuncia Bento XVI.

Trinta anos depois da legalização do aborto na Itália, o Movimento pela Vida do país propõe refletir sobre os efeitos humanos e sociais que a norma produziu na comunidade civil e cristã.

É o contexto em que o Papa recebeu, ao meio-dia desta segunda-feira, o movimento e os responsáveis de iniciativas que se esforçam pela promoção e defesa da vida desde sua concepção.

São «muitas e complexas» as causas que «conduzem a decisões dolorosas como o aborto», reconhece o Santo Padre; diante desse fenômeno, a Igreja «não se cansa de sublinhar» «o valor sagrado da existência» e de estimular as iniciativas «de apoio à mulher e à família para criar condições favoráveis à acolhida da vida e à tutela da instituição da família fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher».

Mas persistem problemas que «afetam a sociedade atual», tais como «a falta de um trabalho seguro, legislações freqüentemente escassas em matéria de proteção da maternidade, a impossibilidade de assegurar um sustento adequado aos filhos», exemplifica Bento XVI.

São impedimentos que desanimam os jovens de iniciar a vida matrimonial, sufocam «a exigência do amor fecundo», «abrem a porta a um crescente sentimento de desconfiança no futuro», alerta.

Por isso, é necessário «unir esforços para que as instituições voltem a pôr no centro de sua ação a defesa da vida humana e a atenção prioritária à família» - sublinha o Papa -, como também se deve ajudar «com todo instrumento legislativo a família para facilitar sua formação e sua obra educativa».

«É necessário testemunhar de maneira concreta que o respeito da vida é a primeira justiça que deve ser aplicada», adverte o Santo Padre.

«Os direitos humanos devem ser respeitados como expressão de justiça», e promovê-los é «a estratégia mais eficaz para eliminar desigualdades entre países e grupos sociais» e para aumentar a segurança.

Por isso, o Santo Padre elogia os membros do Movimento pela Vida em seu empenho «no âmbito político como ajuda e estímulo às instituições, a fim de que se dê o justo reconhecimento à expressão ‘dignidade humana’».

«Vossa iniciativa diante da Comissão de Petições do Parlamento Europeu - especifica -, na qual afirmais os valores fundamentais do direito à vida desde a concepção, da família fundada no matrimônio de um homem e uma mulher, do direito de todo ser humano concebido a nascer e a ser educado em uma família de pais, confirma ulteriormente a solidez de vosso compromisso e a plena comunhão com o Magistério da Igreja.»

Por seu serviço à Igreja e à sociedade, o Papa agradece o Movimento pela Vida.

«Quantas vidas humanas salvastes da morte! Segui neste caminho – exorta – e não tenhais medo, a fim de que o sorriso da vida triunfe nos lábios de todas as crianças e de suas mães.»