Papa: doentes terminais não devem ser marginalizados

Por ocasião de sua visita ao Hospital do Sagrado Coração em Roma

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ROMA, segunda-feira, 14 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).- O doente terminal não deve ser marginalizado por uma mentalidade que enfatize a eficiência física. É esta mensagem enviada pelo Papa nesse domingo, em sua visita ao Hospital do Sagrado Coração, um centro gratuito de cuidados paliativos para pacientes terminais, que também se dedica à formação e à pesquisa.

A primeira unidade foi inaugurada em 1998 no interior do Lar de Cura do Sagrado Coração, patrocianada pelo Circolo San Pietro e pela Fundação Roma, e com suporte médico-científico do Pólo Oncológico Regina Elena.

Conforme disse à Rádio Vaticano o diretor do hospital, Dr. Italo Penco, “atualmente no centro são 150 pacientes em estado terminal - a maioria vítimas de câncer - dos quais 30 recebem cuidados no hospital, enquanto outros 120 têm atendimento domiciliar diário”.

“Em 2002, demos início também a atividades voltadas aos doentes de Alzheimer”, incluindo assistência domiciliar. “Para essa doença degenerativa foi criado o Centro Diurno Alzheimer para a reativação cognitiva, motora e funcional das pessoas afetadas”.

“Em 2008” – continuou – “demos início a um projeto de assistência a portadores de esclerose lateral amiotrófica, e hoje temos 9 pacientes, dos quais três internos e 6 que são atendidos em suas casas. Nosso hospital, portanto, atende hoje algo em torno de 220-230 pacientes.

Durante sua visita, o Papa encontrou-se com pacientes, integrantes da equipe médica, pessoal administrativo e com voluntários do Circolo San Pietro que desenvolvem atividades sócio-assistenciais com o intuito de atenuar a dor física e espiritual.

Bento XVI foi recebido pelo cardeal vigário de Roma, Agostino Vallini, pelo presidente do Circolo San Pietro, o duque Leopoldo Torlonia, e pelo presidente da Fundação Roma, Emmanuele Emanuele.

Em seu discurso de boas-vindas, o duque Leopoldo Torlonia lembrou que os "nossos pacientes são, muitas vezes, pessoas sós ou com famílias impossibilitadas cuidar deles" e que "no pleno respeito à liberdade de cada um, a nossa assistência torna-se oração silenciosa e concreta, e nós, juntamente com a equipe médica, de enfermagem e auxiliar, podemos crescer na fé e tentando dar esperança".

“Nossos voluntários, sempre presentes e sempre próximos a essas vidas frágeis, são promotores e testemunhas da mudança nas pessoas”, continuou. E, de fato, “Em quase todos se verifica um crescimento humano e espiritual, graças também ao alívio do sofrimento proporcionado pelos cuidados paliativos”.

Afirmou que “a partir dos ensinamentos de Sua Santidade Pio XII contra os excessos terapêuticos, fomos levados hoje a compreender que o desespero provocado pela dor pode ser tão grande a ponto de a pessoa desejar por um fim a tudo com a morte, com a morte provocada, com a eutanásia.”

“Nossa experiência” – sublinhou – “nos permite afirmar que o controle da dor, sem perda da consciência, ajuda a afrontar a morte com dignidade, e é a isso que se propõem os cuidados paliativos”, acrescentando que “esta é seguramente uma resposta concreta ao crescente desejo por eutanásia que a sociedade de hoje nos impõe”.

Referindo-se ao discurso, o Papa observou que “hoje, a mentalidade prevalecente é a da eficiência”, que “tende frequentemente a marginalizar estas pessoas, tratando-as como “um peso e um problema para a sociedade”.

“Aqueles que possuem senso de dignidade humana sabem, ao contrário, que estas pessoas devem ser respeitadas e sustentadas enquanto enfrentam as dificuldades e o sofrimento ligados à sua condição de saúde”, enfatizou.

O pontífice elogiou o uso de procedimentos paliativos, “que são capazes de aliviar o sofrimento causado pela doença, ajudando os doentes a viver com dignidade".

"No entanto, além deste atendimento clínico essencial” – explicou – “devem ser oferecidos aos doentes atos concretos de amor e de solidariedade cristã”.

“Sua doença constitui uma provação dolorosa” – disse – “mas ante o mistério de Deus, que assumiu nossa carne mortal, ela adquire novo significado”, tornado-se “ocasião de santificação”.

"Quando a dor e o desconforto forem mais intensos, pense que Cristo os está ligando à sua cruz, porque quer enviar por meio de vocês uma mensagem de amor a todos os que se perderam na estrada da vida, e que, fechados no próprio egoísmo, vivem no pecado e distantes de Deus”, continuou.

“De fato, sua condição de saúde testemunha que a vida verdadeira não é aqui, mas junto a Deus, onde cada um de nós encontrará a felicidade se tiver se posto a seguir humildemente o mais verdadeiro de todos os homens: Jesus de Nazaré, Mestre e Senhor”.