Papa em Sta. Marta: Um homem de governo não instrumentaliza Deus e o seu povo

Francisco propõe imitar ao Rei David na hora de enfrentar os momentos difíceis da vida

Roma, (Zenit.org) Redacao | 396 visitas

Não usar Deus e o povo para se defender nos momentos de dificuldade. Foi o que destacou o Papa Francisco nesta manhã de segunda-feira durante sua homilia na capela da Casa Santa Marta. Ao comentar a atitude do Rei Davi no episódio da traição de Absalão ao seu pai, o Santo Padre convidou a escolher sempre o caminho da confiança em Deus.

O Papa deteve-se na primeira leitura, do Livro de Samuel, que narra a história de uma “grande traição” e suas consequências. Davi está triste porque “também o povo” estava a favor do filho e contra o rei. Era “como se o filho tivesse morrido”. Mas qual é a reação de Davi “diante da traição de seu filho? O Papa aponta três atitudes:

Davi, um homem de governo, encara a realidade como de fato é, e sabe que esta guerra será muito dura” e “haverá muitos mortos”, mas “decidiu que seu povo não devia morrer”. O santo Padre explicou que Davi “podia lutar contra as forças de seu filho em Jerusalém, mas decretou que a cidade não fosse destruída”. 

“David, esta é a primeira atitude, para defender-se não usa Deus nem o seu povo. Isto significa o amor de um rei pelo seu Deus e o seu povo”. Um rei pecador – conhecemos a história – mas um rei também com um grande amor: era muito ligado ao seu Deus e muito ligado ao seu povo e não usa para defender-se nem Deus nem o povo. Nos momentos difíceis da vida – destacou o Papa- pode acontecerque em meio ao desespero, tentamos nos defender como podemos, usando Deus e as pessoas. Ele não o fez”. Esta é aprimeira atitude: não usar Deus e o seu povo.”

Por isso, Davi optou por fugir. Sua segunda atitude é “penitencial”. Sobe a montanha “chorando”, descalço e com o rosto coberto. Quem sabe – refletiu o Papa - “ele pensou tantas coisas tristes, nos pecados que cometera; talvez achasse que não era ‘inocente’. Pensou também que não era justo que seu filho o tivesse traído, mas, reconhecendo que não era um santo, decidiu pela penitência”.

“Esta subida ao monte faz-nos pensar àquela outra subida de Jesus, também Ele em sofrimento, com os pés descalços, com a sua Cruz subia o monte: atitude penitencial. David aceita estar de luto e chora. Nós, quando nos acontece algo parecido na nossa vida sempre tentamos justificarmo-nos – é um instinto que temos. David não se justifica, é realista, tenta salvar a arca de Deus, o seu povo e faz penitência por aquele caminho. É um grande: um grande pecador e um grande santo. Como vão juntas estas duas coisas... Deus lá sabe.”

No caminho aparece um outro personagem: Semei, que atira pedras contra ele e todos os seus servos. Considerando-o inimigo, amaldiçoa Davi. Um dos amigos do rei queria matar “este cão morto”. Mas o rei David o impede: “não escolhe o caminho da vingança mas confia no Senhor”. E continua: “Deixai-o amaldiçoar, conforme a permissão do Senhor. 12Talvez o Senhor leve em conta a minha miséria, restituindo-me a ventura em lugar da maldição de hoje”.Portanto, a confiança em Deus é a terceira atitude apresentada pelo Papa Francisco. O comportamento de Davi pode nos ajudar, porque “todos nós passamos por momentos escuros, de provação”.

Por fim, o Papa destacou como é “belo escutar e verificar estas três atitudes do rei David: um homem que ama Deus, ama o seu povo e não o negocia, um homem que se sabe pecador e faz penitência; um homem que é seguro do seu Deus e confia n’Ele. David é santo e nós veneramo-lo como santo. Peçamos-lhe que nos ensine estas atitudes nos momentos difíceis da vida.”  

(Adaptação:MEM)