Papa exorta formação ascética das novas gerações

Mensagem ao Convênio Ecumênico Internacional de Espiritualidade Ortodoxa

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CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 4 de setembro de 2009 (ZENIT.org).- Por ocasião do 17º Convênio Ecumênico Internacional de Espiritualidade Ortodoxa, Bento XVI deseja que o “encontro fraterno” suscite uma consciência renovada do valor da luta espiritual como consequência do amor de Cristo e um empenho generoso na formação ascética das novas gerações”.

Assim diz a mensagem enviada em nome do pontífice ao cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado vaticano, por ocasião da que o Papa definiu como “uma oportuna iniciativa” sobre o tema “A luta espiritual na tradição ortodoxa”.

A mensagem está dirigida a Enzo Bianchi, prior o Mosteiro de Bose, que hospedará o Convênio nos dias 9 a 12 de setembro, em colaboração com as igrejas ortodoxas.

A iniciativa, explicam os organizadores, “representa uma importante ocasião de intercâmbio sobre temas essenciais da vida espiritual, no qual as tradições do Oriente e do Ocidente cristãos se cruzam com as profundas expectativas do homem contemporâneo”.

O tema deste ano, segundo reconheceu, “toca o centro de um problema atualíssimo: o que impede que o coração do homem ame em liberdade? Como vencer os fantasmas que habitam nele e que condicionam sua vontade?”.

“Esta é – observam – a arte da luta contra os ‘pensamentos malvados’, como a tradição define estas imagens, impulsos, inclinações negativas que turbam a ‘mente’, distraindo-a da lembrança de Deus e empurrando-a ao pecado.”

“Reler hoje a sabedoria dos Padres significa também perguntar-se sobre algo mais radical, sempre presente no fundo das transformações da modernidade: no fundo, o que é o pecado? O que torna verdadeiramente livre ou escraviza a consciência do homem”? acrescentam.

Sobre estas perguntas se baseará o diálogo entre teólogos, estudiosos e representantes da Igreja Católica, das igrejas ortodoxas e das reformadas.

Abrirão os trabalhos o prólogo do prior de Bose e a relação do metropolita Filarete de Minsk, exarca patriarcal de Belarus e presidente da comissão teológica do Patriarcado de Moscou, que tratarão dos fundamentos bíblicos e teológicos da luta espiritual.

Na jornada conclusiva, será sublinhada a validez ecumênica e o significado para o homem contemporâneo, nas intervenções dos metropolitas Georges do Monte Líbano, do Patriarcado de Antioquia, e Kallistos de Diokleia, delegado do Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I.

Da Igreja Católica, espera-se o cardeal Roger Etchegaray, vice-decano do Sacro Colégio; o arcebispo Antonio Mennini, núncio apostólico na Federação Russa; Dom Brian Farrell, LC, secretário do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos; e o Pe. Milan Žust, SJ, do mesmo dicastério.

Durante os dias de trabalho, intervirão também alguns bispos da Conferência Episcopal Piemontesa, entre eles o secretário, Dom Arrigo Miglio, bispo de Ivrea, e Dom Gabriele Mana, bispo de Biella e ordinário do lugar.

Do Patriarcado de Moscou, participarão o bispo Amvrosij de Gatčina, reitor da Academia Teológica de São Petersburgo e chefe da delegação oficial; o Pe. Dimitrij Ageev e o Dr. Aleksej Dikarev, do Departamento para as Relações Exteriores.

Participarão dos trabalhos do convênio também o arcebispo Zosima de Elista e Kalmukija e o Pe. Pavel Velikanov, delegado do reitor da Academia teológica de Moscou.

Estarão presentes delegados da Igreja Ortodoxa Ucraniana, da Igreja Ortodoxa Sérvia, da Ortodoxa Romênia, da Ortodoxa Búlgara, da Igreja da Grécia, da Igreja Apostólica Armênia, do Patriarcado Armênio de Constantinopla, da Igreja da Inglaterra e do Conselho Ecumênico das Igrejas de Genebra.

Os participantes provêm de 21 países. Estarão presentes também numerosos monges e monjas de mosteiros ortodoxos, católicos e reformados.

“Como figura nas próprias intenções do projeto científico do convênio – concluem os organizadores –, os Convênios ecumênicos de espiritualidade ortodoxa desejam oferecer um espaço de encontro fraterno entre as diversas igrejas cristãs, de comunhão e de intercâmbio de suas multiformes tradições espirituais.”