Papa Francisco encontra a comissão sobre o IOR

Prossegue a reforma para encontrar "uma melhor harmonização" do Instituto "com a missão da Igreja"

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 512 visitas

Papa Francisco recebeu ontem a comissão instruída para fazer uma radiografia do Instituto para as Obras de Religião (IOR). Estava presente o presidente do Instituto, o alemão Ernest von Freyberg.

A notícia divulgada pela agência de notícias Ansa demonstra o interesse do Santo Padre em continuar na linha da transparência e o desejo de uma futura reforma do Instituto. Apesar de a Europa estar no período das férias de verão, o Santo Padre decidiu ficar no Vaticano e não ir para a residência estiva em Castel Gandolfo, onde poderia continuar trabalhando em um clima mais fresco e descontraído.

A comissão criada há menos de um mês, em 24 de junho, não é de vigilância, mas tem a missão de coletar informações detalhadas para atualizar o papa Francisco sobre tudo o que acontece no IOR para assim prosseguir a reforma que permitirá, como mostrado na carta assinada pelo Papa ao criá-la, encontrar "uma melhor harmonização" do Instituto "com a missão da Igreja".

Esta é composta pelo cardeal Raffaele Farina; o cardeal Jean Louis Tauran, que foi membro do Colégio dos Cardeais do IOR; o coordenador espanhol, dom Juan Ignacio Arrieta, membro do Opus Dei e pessoa altamente competente em matéria de legislação; o secretário Peter Bryan Wells; e a ex-embaixatriz dos EUA, Mary Gendon.

A linha da transparência tomada firmemente pelo papa emérito Bento XVI levou a Instituição a dar passos importantes, ao ponto de receber o "amplamente conforme" de Moneyval, agência da Comissão Europeia contra a lavagem de dinheiro, mesmo com algumas indicações de tarefas pendentes.

Na Itália, o caso mais recente é o do Monsenhor Nunzio Scarano, suspenso há mais de um mês de seu cargo na Administração do Patrimônio da Sé Apostólica. O caso é investigado pelos tribunais italianos pela tentativa de deixar entrar na Itália fundos da Suíça, como favor de amigos, evitando assim o pagamento dos impostos devidos.

Embora não necessariamente relacionado com o caso citado, o diretor do Instituto Paolo Cipriani e o vice Massimo Tulli, pediram demissão no dia 1 de julho. Desde então, as funções de diretor geral foram assumidas "ad interim" pelo presidente do Conselho de Superintendência, Von Freygerb.

Dom Odilo Scherer, membro do Conselho dos cardeais para o Estudo dos problemas organizativos da Santa Sé, em entrevista ao jornal romano 'Il Messaggero', afirma que "onde há pessoas também podem ocorrer erros, até mesmo graves” e destaca que “nem sempre nas estruturas trabalham anjos. “As tentações, por vezes, nos levam a cometer erros graves. Então, é preciso vigiar. Neste sentido, talvez, devemos fazer mais” - afirmou-.

O cardeal brasileiro recorda que o IOR não é um banco, mas "um instituto com finalidades especificas de serviço". E sobre a possibilidade de fechar o IOR, como desejado por alguns cardeais, Dom Odilo diz: "Acredito que a Igreja precisa ter bens temporais"- e acrescenta - "não creio que a Igreja possa pensar em não ter uma organização administrativa que torne fatível a sua missão”.

“A questão não está tanto em ter, em possuir meios, mas na forma como são geridos. Decoro, honestidade, transparência, serviço” - destaca o cardeal-.