Papa Francisco felicita os muçulmanos pela festa do final do Ramadã

Tema de reflexão proposto: a promoção do mútuo respeito através da educação

Roma, (Zenit.org) Rocio Lancho García | 653 visitas

O Santo Padre enviou uma mensagem assinada pessoalmente por ele aos muçulmanos de todo o mundo por ocasião da festa do final do Ramadã. Desde 1967, o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso envia esta mensagem em nome do pontífice, com exceção feita em 1991, quando o papa João Paulo II também decidiu escrever pessoalmente aos muçulmanos. O tema deste ano, escolhido pelo papa Francisco, é "a promoção do mútuo respeito através da educação".

"É para mim uma grande alegria saudá-los por ocasião da celebração do ‘Id al-Fitr’, que encerra o mês do Ramadã, dedicado principalmente ao jejum, à oração e à esmola", começa o Santo Padre, que recorda a tradição do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso de enviar esta mensagem todos os anos. "Neste ano, o primeiro do meu pontificado, decidi assinar eu mesmo esta mensagem tradicional e enviá-la, queridos amigos, como expressão de estima e de amizade para com todos os muçulmanos, especialmente para com aqueles que são chefes religiosos".

Francisco prossegue: "Sou consciente de que, neste período, as dimensões familiares e sociais são particularmente importantes para os muçulmanos e vale a pena enfatizar que há certos paralelismos em cada uma destas áreas com a fé e a prática cristã". Ele explica que o tema escolhido para a reflexão deste ano, "a promoção do mútuo respeito através da educação", "pretende destacar a importância da educação no modo de nos compreendermos reciprocamente, com base no mútuo respeito".

Explica o papa: "Isto significa um atitude de bondade para com as pessoas pelas quais sentimos consideração e estima (...) Mútuo significa que não é um processo em sentido único, mas algo que se compartilha entre ambas as partes".

"O que somos chamados a respeitar em cada pessoa é, acima de tudo, a vida, a sua integridade física, a sua dignidade e os direitos que dela surgem, a sua reputação, a sua propriedade, a sua identidade étnica e cultural, as suas ideias e as suas escolhas políticas". Por isto, "somos chamados a pensar, falar e escrever para o outro de forma respeitosa, não somente na sua presença, mas sempre e onde quer que seja, evitando críticas injustas e difamações". Para que se atinja este objetivo, o papa reafirma o papel "das famílias, das escolas, do ensino religioso e de todos os tipos de meios de comunicação".

Quanto ao mútuo respeito nas relações inter-religiosas, especialmente entre muçulmanos e cristãos, o papa Francisco afirma que "somos chamados a respeitar a religião do outros, os seus ensinamentos, símbolos e valores".

Francisco também dedica algumas palavras à educação da juventude e lembra que "devemos formar os nossos jovens para que eles pensem e falem de forma respeitosa das outras religiões e dos seus fiéis, evitando ridicularizar ou denegrir as suas convicções e práticas".

O Santo Padre cita as palavras que disse ao corpo diplomático creditado junto à Santa Sé em 22 de março, quando afirmou que "não podemos viver autênticas relações com Deus ignorando os outros. Por isso, é importante intensificar o diálogo entre as diversas religiões; creio que, em primeiro lugar, com o islã, e eu apreciei muito a presença, durante a missa de início do meu ministério, de tantas autoridades civis e religiosas do mundo islâmico". Com estas palavras, explica o pontífice, "eu quis reiterar mais uma vez a grande importância do diálogo e da cooperação entre os crentes, em particular entre cristãos e muçulmanos, e a necessidade de reforçá-la".

Ao finalizar a mensagem, o papa Francisco ressalta: "Com estes sentimentos, renovo a minha esperança de que todos, cristãos e muçulmanos, possam ser verdadeiros promotores do mútuo respeito e amizade, em especial através da educação".