Papa Francisco pede uma formação mais completa dos fiéis-leigos

As palavras do Papa no encontro com membros do Conselho do Apostolado Laical Católico

Seul, (Zenit.org) Redacao | 1178 visitas

Queridos irmãos e irmãs!

Sinto-me grato por ter esta oportunidade de me encontrar convosco, que representais as múltiplas expressões do florescente apostolado dos leigos na Coreia. Agradeço ao Presidente do Conselho do Apostolado Laical Católico, o Senhor Paul Kwon Kil-joog, as amáveis palavras de boas-vindas que me dirigiu da vossa parte.

Como sabemos, a Igreja na Coreia é herdeira da fé de gerações de leigos que perseveraram no amor de Jesus Cristo e na comunhão com a Igreja, apesar da escassez de sacerdotes e da ameaça de graves perseguições. O Beato Paul Yun Ji-chung e demais mártires hoje beatificados representam um capítulo extraordinário desta história. Eles deram testemunho da fé não só através dos seus sofrimentos e da morte, mas também com a sua vida de mútua solidariedade amorosa nas comunidades cristãs, caracterizadas por uma caridade exemplar.

Esta preciosa herança prolonga-se nas vossas obras de fé, de caridade e de serviço. Hoje, como sempre, a Igreja precisa que os leigos prestem um testemunho credível à verdade salvífica do Evangelho, ao seu poder de purificar e transformar o coração humano e à sua fecundidade na edificação da família humana na unidade, justiça e paz. Sabemos que há uma única missão da Igreja de Deus, e cada cristão baptizado tem um papel vital nesta missão. Os vossos dons de fiéis-leigos, homens e mulheres, são múltiplos, tal como é variado o vosso apostolado; e tudo o que fazeis destina-se à promoção da missão da Igreja, garantindo que a ordem temporal seja permeada e aperfeiçoada pelo Espírito de Cristo e orientada para a vinda do seu Reino.

De modo particular, desejo agradecer a obra de tantas associações diretamente empenhadas em ir ao encontro dos pobres e necessitados. Como demonstra o exemplo dos primeiros cristãos coreanos, a fecundidade da fé expressa-se na solidariedade concreta para com os nossos irmãos e irmãs, independentemente da sua cultura ou condição social, porque em Cristo «não há judeu nem grego» (Gal 3, 28). Sinto-me profundamente grato a quantos de vós, com o trabalho e o testemunho, levam a presença consoladora do Senhor às pessoas que vivem nas periferias da nossa sociedade. Esta atividade não se limita à assistência caritativa, mas deve estender-se também a um compromisso com o crescimento humano. Dar assistência aos pobres é coisa boa e necessária, mas não é suficiente. Encorajo-vos a multiplicar os vossos esforços no campo da promoção humana, de modo que cada homem e cada mulher possa conhecer a alegria que deriva da dignidade de ganhar o pão de cada dia, sustentando assim a própria família. Esta dignidade neste momento está ameaçada de ser eliminada pela cultura do dinheiro, deixando muitas pessoas sem trabalho. Podeis dizer: 'padre, damos-lhes comida’. Mas não é o suficiente. Ele e ela, quem está sem trabalho deve sentir em seu coração a dignidade de levar o pão para casa. E confio a vós este trabalho.

Desejo ainda agradecer a preciosa contribuição das mulheres católicas coreanas para a vida e a missão da Igreja neste país, como mães de família, catequistas e professoras, e de vários outros modos. Da mesma forma, não posso deixar de destacar a importância do testemunho prestado pelas famílias cristãs. Numa época de crise da vida familiar, as nossas comunidades cristãs são chamadas a apoiar os casais e as famílias no cumprimento da sua missão na vida da Igreja e da sociedade. A família permanece a unidade basilar da sociedade e a primeira escola onde as crianças aprendem os valores humanos, espirituais e morais que as tornam capazes de ser faróis de bondade, integridade e justiça nas nossas comunidades.

Queridos amigos, qualquer que seja a contribuição particular que dais à missão da Igreja, peço-vos que continueis a promover nas vossas comunidades uma formação mais completa dos fiéis-leigos, através duma catequese permanente e da direcção espiritual. Em tudo o que fizerdes, peço-vos que actueis em completa harmonia de mente e coração com os vossos pastores, procurando colocar as vossas intuições, talentos e carismas ao serviço do crescimento da Igreja na unidade e no espírito missionário. A vossa contribuição é essencial, pois o futuro da Igreja na Coreia, como aliás em toda a Ásia, dependerá em grande parte do desenvolvimento duma visão eclesiológica alicerçada numa espiritualidade de comunhão, participação e partilha dos dons (cf. Ecclesia in Asia, 45).

Uma vez mais exprimo a minha gratidão por tudo o que fazeis pela edificação da Igreja na Coreia na santidade e no zelo. Possais vós obter constante inspiração e força para o vosso apostolado do Sacrifício Eucarístico, onde é comunicado e alimentado o amor de Deus e da humanidade, que é a alma do apostolado, (cf. Lumen gentium, 33). Sobre vós, vossas famílias e quantos participam nas obras corporais e espirituais das vossas paróquias, das associações e dos movimentos, invoco alegria e paz no Senhor Jesus Cristo e na carinhosa protecção de Maria, nossa Mãe. Por favor, peço que rezem por mim. E agora, todos juntos, rezemos para a Virgem e depois eu vos concedo a bênção.