Papa Francisco preside a celebração eucarística em sufrágio dos cardeais e bispos falecidos

Celebração foi às 11h30 desta manhã, no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro

Cidade do Vaticano, (Zenit.org) | 445 visitas

Papa Francisco preside a celebração eucarística em sufrágio dos cardeais e bispos falecidos . ACelebração foi às 11h30 desta manhã, no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro

Publicamos a seguir a homilia do papa Francisco na Santa Missa de hoje:

No clima espiritual do mês de novembro, marcado pela memória dos fiéis defuntos, recordamos os nossos irmãos cardeais e bispos de todo o mundo que voltaram para a casa do Pai ao longo deste ano. Enquanto oferecemos por cada um deles esta Eucaristia, peçamos a nosso Senhor que lhes conceda a recompensa celestial prometida aos servos bons e fiéis.

Ouvimos as palavras de São Paulo: "Eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Rm 8, 38-39) .

O apóstolo fala do amor de Deus como o motivo mais profundo e invencível da confiança e da esperança cristã. Ele enumera as forças opostas e misteriosas que podem ameaçar o caminho da fé. Mas logo afirma que, mesmo se toda a nossa existência é cercada por ameaças, nada vai nos separar do amor que Cristo mesmo mereceu por nós, doando-se completamente. Mesmo os poderes demoníacos hostis ao homem se detêm impotentes diante da íntima união de amor entre Jesus e aquele que o acolhe com fé. Essa realidade do amor fiel que Deus tem por cada um de nós nos ajuda a trilhar com serenidade e força o caminho de cada dia, que, às vezes, é expedito, mas outras vezes é lento e cansativo.

Só o pecado do homem pode romper esse vínculo; mas, mesmo nesse caso, Deus vai sempre atrás dele para restabelecer a união que dura inclusive depois da morte; uma união que, no encontro definitivo com o Pai, atinge o seu ápice. Esta certeza dá um significado novo e pleno à vida terrena e nos abre à esperança para a vida além da morte.

Toda vez que somos confrontados com a morte de um ente querido ou de alguém que conhecíamos bem, surge em nós a pergunta: "O que será feito da sua vida, do seu trabalho, do seu serviço à Igreja?". O Livro da Sabedoria nos diz que eles estão nas mãos de Deus! A mão é um sinal de acolhimento e de proteção, é um sinal de uma relação pessoal de respeito e de lealdade: dar a mão, apertar a mão. Esses pastores zelosos, que dedicaram as suas vidas ao serviço de Deus e do próximo, estão nas mãos de Deus, todos eles estão bem guardados, e não serão corroídos pela morte. Estão nas mãos de Deus todos os seus dias, entrelaçados de alegrias e sofrimentos, esperanças e fadigas, fidelidade ao Evangelho e paixão pela salvação espiritual e material do rebanho que lhes foi confiado.

Mesmo os pecados, os nossos pecados, estão nas mãos de Deus: essas mãos são mãos misericordiosas, "feridas" de amor. Não foi por acaso que Jesus quis preservar as feridas em suas mãos para nos fazer sentir a sua misericórdia. E esta é a nossa força, a nossa esperança.
Esta realidade, cheia de esperança, é a perspectiva da ressurreição final, da vida eterna, à qual se destinam "os justos", aqueles que aceitam a Palavra de Deus e são obedientes ao Seu Espírito.

Queremos lembrar assim os nossos irmãos cardeais e bispos falecidos. Homens dedicados à sua vocação e ao seu serviço à Igreja, a Igreja que amavam como se ama uma esposa. Na oração, vamos confiá-los à misericórdia do Senhor, pela intercessão de Nossa Senhora e de São José, para que Deus os receba em seu reino de luz e de paz, onde vivem eternamente os justos e aqueles que foram fiéis testemunhas do Evangelho. Nesta mesma oração, rezemos também por nós, para que o Senhor nos prepare para aquele encontro. Nós não sabemos a data, mas o encontro acontecerá.