Papa Francisco renova Comissão Cardinalícia de supervisão do IOR

Agora, a Comissão é composta por Dom Parolin e os cardeais Schönborn, Collins, Tauran, Abril y Castelló

Roma, (Zenit.org) Carmine Tabarro | 355 visitas

Enquanto espera a conclusão dos trabalhos da Comissão sobre o Instituto para as Obras de Religião presidida pelo cardeal Raffaele Farina, o Papa Francisco renovou a Comissão Cardinalícia de supervisão do IOR para os próximos cinco anos.

Conforme relatado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, agora, a comissão é composta pelo Arcebispo de Viena, Cardeal Christoph Schönborn, pelo Arcebispo de Toronto, Cardeal Thomas Christopher Collins, pelo Presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Cardeal Jean-Louis Tauran, pelo Arcipreste da Basílica de Santa Maria Maior, Cardeal Santos Abril y Castelló, e pelo Secretário de Estado, Dom Pietro Parolin, que será criado cardeal no Consistório de 22 de fevereiro próximo.

A atenção do Papa Francisco para com o Instituto vaticano se mostrou maior do que se poderia imaginar. Aos observadores mais atentos não terá escapado o fato de que a Comissão cessante foi renovada há menos de um ano e deveria caducar em 2018.

O único cardeal "sobrevivente" da comissão renovada por Bento XVI antes de sua renúncia à Cátedra de Pedro, foi Jean -Louis Tauran, muito estimado por Bergoglio. Não foram renovadas as atribuições do cardeal Tarcisio Bertone, ex-secretário de Estado, do brasileiro Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, do indiano Telesphore P. Topp. E nem mesmo do presidente da Apsa (equivalente ao Tesouro Nacional), Domenico Calcagno, que entrou na comissão em 16 de fevereiro de 2013, no lugar do cardeal Attilio Nicora, presidente Aif, ex- Apsa, apenas uma semana antes do final do pontificado Ratzinger.

É, portanto, uma renovação quase total dos membros da Comissão de Supervisão, que se tornou necessária, mesmo após a mudança de gestão do IOR, em julho do ano passado, após o escândalo de Monsenhor Nunzio Scarano. Uma história que provocou a revisão da legislação em matéria de transparência, examinada em Estrasburgo pelo Moneyval, órgão que em um relatório criticou a gestão do banco do Vaticano por ocasião da sua comissão cardinalícia: uma anomalia no contexto financeiro mundo.

Agora, temos que esperar a primeira reunião da nova Comissão, para saber quem vai ser nomeado presidente. O Estatuto do IOR, artigo 5 º, prevê a eleição dos demais membros da comissão, mas também é possível que seja eleito presidente o Secretário de Estado, como tradição no passado. Grandes expectativas pela reorganização do IOR por parte do Conselho de Cardeais instituído pelo Papa para reformar a Igreja.

Vale recordar que, conforme estabelecido pelo Beato João Paulo II no quirografo datado de 1 de março de 1990, a Comissão Cardinalícia tem a tarefa de assegurar a “fidelidade do Instituto às normas estatutárias na forma prevista pelo Estatuto".