Papa Francisco responde ao mundo

Não somente a um jornalista de um jornal italiano, mas estabelece um novo diálogo com o mundo inteiro

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Hélio Luciano | 1018 visitas

No último dia 11 de setembro - dia até então marcado pela falta de diálogo no mundo - o Santo Padre, Papa Francisco, estabelece um novo significado para este dia: o diálogo sincero e amoroso. Responde não somente a um jornalista de um jornal italiano, mas estabelece um novo diálogo com o mundo inteiro.

Começa a partir de uma reflexão histórica. Afirma que, a partir do Iluminismo, a grande novidade de Cristo na história da humanidade foi confundida com superstição e contraposta à racionalidade humana. Deste modo, faz-se necessário recomeçar este diálogo com o mundo, a partir da realidade das coisas e a partir do amor. O Papa vai além, diz que é uma necessidade do cristão, pois a fé não pode endurecer a ninguém, mas exige colocar-se a caminho, dar testemunho e dialogar.

Deste diálogo nasce a fé e este nascimento se dá por intermédio da Igreja. Mas não de uma Igreja autorreferencial, institucional, mas sim de uma Igreja como caminho para encontrar a Cristo - o Papa coloca como exemplo a sua própria fé, nascida de uma comunidade cristã.

A originalidade de Cristo está na autoridade que emana dele. Não uma autoridade imposta ou usurpada, mas sim que fazia parte do seu ser - e é na cruz que se mostra "verdadeiramente como Filho de Deus". Esta originalidade de Cristo presente na história humana não se contrapõe à transcendência divina, que permanece com o "Abbá" - simplesmente nos faz a nós, homens, capazes de chegar ao Pai. Consequentemente não há contraposição com as religiões que ainda não encontraram a presença de Deus na história humana. Pelo contrário, com a vinda de Cristo nos tornamos todos filhos de um mesmo Pai.

O Papa ainda fala da separação entre Igreja e Estado como um bem necessário, mas que não significa que o católico deve desentender-se das coisas do mundo e da política, mas sim que esta participação no mundo deve ser vivida como serviço e não como poder.

Respondendo ainda ao jornalista - e ao mundo - o Papa fala dos judeus como nossos antecessores da fé e diz que Ele mesmo perguntou a Deus muitas vezes sobre o sofrimento do povo da aliança.

O Santo Padre termina respondendo a três questões. Primeiro a relação da Igreja com aqueles que não crêem em Cristo - o Papa deixa claro que estes, enquanto não conhecerem a Cristo, são chamados apenas a viver de acordo com suas consciências, pois na verdade é o único bem que conhecem. Depois fala da verdade não como algo absoluto, separado da racionalidade, mas sim como relação e amor. Esta verdade - racional, relacional e amorosa - é contraposta a uma verdade relativa e subjetiva, pois esta última seria irracional.

O "gran finale" do Papa é totalmente esperançoso - deixa claro que Deus não é um construto humano, mas uma realidade amorosa à qual estamos todos chamados a viver para sempre, desde já e durante toda a eternidade.