Papa Francisco toma posse da catedral de Roma

Emocionante cerimônia na basílica de São João de Latrão

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 991 visitas

São João de Latrão é a primeira e mais antiga das quatro basílicas pontifícias, junto com São Pedro, Santa Maria Maior e São Paulo Extramuros. Todas elas são extraterritoriais, ou seja, estão sob a jurisdição do Vaticano.

Latrão é a catedral da diocese de Roma, a sede do bispo da cidade, a primeira que conteve a inscrição “Vigário de Cristo”. Nela está a cátedra papal, da qual Francisco tomou posse neste domingo como bispo de Roma, menos de um mês após ser eleito papa. Resta pouco da primitiva igreja. O primeiro edifício nasceu logo depois do edito de Milão, quando o imperador Constantino proclamou a liberdade religiosa no Império Romano. Seguiu-se uma reconstrução no século X, outra devida a um incêndio em 1360 e diversas transformações durante os séculos seguintes.

Pouco antes do início da cerimônia, o papa participou, junto com o prefeito de Roma, Gianni Alemanno, da inauguração da Praça João Paulo II, área contigua à basílica, que contém um dos vários obeliscos egípcios da capital italiana.

No átrio da basílica de Latrão, de acordo com o rito de posse de basílica por um bispo, Francisco beijou o crucifixo e fez um sinal-da-cruz sobre a própria fronte e sobre a do cardeal Agostino Vallini, seu vigário para Roma.

Quando o papa entrou na catedral de Roma com o bastão pastoral e a mitra, o coro entoou com vigor o canto Aclamem todos o Senhor na terra, dando início à cerimônia de posse e à sucessiva liturgia. Após incensar o altar, o papa se dirigiu à abside da catedral, onde fica o antigo trono de mármore branco, no qual sentou-se.

O cardeal Vallini lhe disse então: “A santa Igreja exulta hoje de alegria no Senhor ao acolher o seu bispo, o sucessor do apóstolo Pedro, que toma posse da sua cátedra. Este é o lugar eleito e abençoado, em que, com fidelidade ao longo do correr dos séculos, a rocha sobre a qual se fundamenta a Igreja confirma todos os irmãos na verdade da fé”.

O papa cumprimentou diversas autoridades eclesiásticas, religiosos e fiéis. Na homilia, Francisco recordou a misericórdia e a paciência de Deus e o fato de que "Jesus não abandonou o teimoso Tomé na sua incredulidade". Tomé quis ver e colocar a mão na ferida dos pregos e do lado de Cristo. “Qual é a reação de Jesus?”, perguntou o papa, respondendo logo em seguida: “A paciência!”. E a Pedro, que o negou três vezes, Jesus disse com paciência e sem palavras: “Pedro, não tenhas medo da tua fraqueza. Confia em mim”. Francisco recordou também a parábola do pai misericordioso que abraça o filho pródigo com ternura, a ternura de Deus, sem sequer uma palavra de repreensão. E mencionou Adão, que, depois do pecado, sentiu vergonha. Jesus, que se despojou por nós, carregou a vergonha de Adão.

O papa concluiu: “A paciência de Deus deve encontrar em nós a valentia de voltar para Ele, seja qual for o nosso erro, seja qual for o pecado que houver na nossa vida”. E, como Tomé, “nós também podemos entrar nas feridas de Jesus, podemos tocá-lo realmente; e isto acontece toda vez que recebemos os sacramentos”.

O papa convidou a todos a entrarem nas feridas de Jesus dizendo-lhe: “Senhor, eu estou aqui. Aceita a minha pobreza, esconde nas tuas chagas o meu pecado, lava-o com o teu sangue”. “Senhor, aqui estou eu; aceita a minha pobreza!”