«Papa não põe no mesmo nível a Shoah e o aborto», afirma Cardeal Ratzinger

Purpurado alemão apresenta o novo livro de João Paulo II, «Memória de identidade»

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ROMA, terça-feira, 22 de fevereiro de 2005 (ZENIT.org).- «O Papa não compara a Shoah com o aborto», declarou o Cardeal Joseph Ratzinger, desmentindo acusações lançadas contra o novo livro de João Paulo II, «Memória e Identidade», apresentado na tarde desta terça-feira em Roma.



O prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé declara que «o Papa recorda a tentação permanente dos homens e nos diz que tampouco nós somos imunes ante a destruição da vida humana, mas a identificação entre Shoah e aborto é alheia ao livro e à idéia do Santo Padre».

O decano do colégio cardinalício desmentiu com o texto na mão as supostas revelações que em dias anteriores meios de comunicação haviam feito sobre supostas passagens dedicadas pelo Santo Padre ao Holocausto judeu durante a Segunda Guerra Mundial.

O quinto livro de João Paulo II como Papa chegará esta terça-feira às livrarias em vários idiomas (inglês, espanhol, português, francês, alemão, polonês, eslovaco, catalão, coreano e croata).

Na apresentação à imprensa, o porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls, também desmentiu estas referências à Shoah no novo volume.

«No Papa não se dá nenhum desejo de comparar sistemas de mal; o que quer é identificar as raízes do mal moral», indica.

«Se o homem pode decidir o que é o bem e o que é o mal, então pode optar por aniquilar um grupo de homens, como sucedeu no passado e como pode suceder ainda», indicou.

Durante o ato de apresentação no Palácio Colona de Roma, Navarro-Valls sublinhou que a comparação do aborto com o Holocausto «é um equivoco que não tem nenhum fundamento no livro: o Papa o que faz é perguntar-se pelas razões do mal, mas não está comparando situações de mal».

Concretamente, o Papa escreve que «a lei estabelecida pelo homem, pelos parlamentos, e por qualquer outra instância legislativa, humana, não pode estar em contradição com a lei natural, em definitivo, com a eterna Lei de Deus».

João Paulo II reflete sobre «a eliminação de milhões de filhos e filhas de Israel», dizendo que «basta recordar tão só este evento, tão próximo no tempo, para ver com clareza que a lei estabelecida pelo homem tem limites precisos, que não se podem superar».

O Papa convida «ao início de um novo século e de um novo milênio a perguntar-se sobre algumas opções legislativas decididas nos Parlamentos dos atuais regimes democráticos» e em particular as que introduziram o aborto.

«Os Parlamentos que aprovam e promulgam semelhantes leis devem ser conscientes de que extrapolam suas próprias competências e de que se põem em aberto conflito com a lei de Deus e com a lei da natureza», indica.

Sobre a saúde de João Paulo II, o porta-voz do Papa comentou que «o Papa está melhorando e segue o que lhe aconselham os médicos, que é um pouco de calma».