Papa: necessidade de «nova síntese entre capital e trabalho»

A atual crise econômica e social é «uma oportunidade que a Igreja deve aproveitar»

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Por Inma Álvarez

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- A crise econômica exige encontrar uma nova relação entre capital e trabalho, considera Bento XVI, que afirma também que a conjuntura interpela também à Igreja.

«O grande desafio e oportunidade, que a preocupante crise econômica do momento convida a saber aproveitar, consiste em encontrar uma nova síntese entre bem comum e mercado, entre capital e trabalho», afirmou o Papa ao receber no sábado passado os membros da Confederação Italiana Sindical dos Trabalhadores (Confederazione Italiana Sindicati Lavoratori, CISL). 

O pontífice recebeu os dirigentes do sindicato por ocasião do 60º aniversário de sua fundação. A CISL surgiu em 1948 como uma excisão da Confederazione Italiana dei Lavoratori (CIL, fundado em 1918 como resposta à Rerum Novarum de Leão XIII). 

Em seu discurso, Bento XVI afirmou que o mundo do trabalho é «a chave essencial» de toda a questão social, «porque condiciona o desenvolvimento, não só econômico, mas também cultural e moral, das pessoas, das famílias, das comunidades e da humanidade inteira».  

Citando João Paulo II, o Papa sublinhou que a Igreja «nunca deixou de considerar o problema do trabalho dentro de uma questão social que foi assumindo progressivamente dimensões mundiais». 

A crise econômica e social atual «está afetando especialmente o mundo do trabalho» e requer «um esforço livre e responsável por parte de todos; ou seja, é necessário superar os interesses particulares e de setor, para enfrentar as dificuldades juntos e unidos». 

«Nunca como hoje se advertiu uma urgência semelhante», constatou. 

Diante da atual crise, acrescentou o Papa, é necessário realizar um «apelo à solidariedade e à responsabilidade de todos», assim como trabalhar juntos. «As dificuldades que o mundo do trabalho atravessa impulsionam a uma organização específica e mais compacta entre todos os componentes da sociedade», acrescentou. 

Neste sentido, insistiu no importante papel que devem desempenhar os sindicatos na hora de encontrar esta nova relação entre capital e trabalho, até o ponto de considerá-los «um elemento indispensável da vida social, especialmente nas modernas sociedades industrializadas». 

«Desejo, portanto, que da atual crise mundial brote a vontade comum de dar vida a uma nova cultural da solidariedade e da participação responsável, condições indispensáveis para construirmos juntos o futuro do nosso planeta», acrescentou. 

Sindicato para o trabalhador

O repassar a história da CISL, o Papa destacou o empenho histórico deste sindicato em «fundar sua atuação nos princípios da doutrina social da Igreja e na prática de um sindicalismo livre e autônomo de facções políticas e de partidos». 

«No pleno respeito da legítima autonomia de toda instituição, a Igreja, especialista em humanidade, não se cansa de oferecer a contribuição de seu ensinamento e de sua experiência àqueles que pretendem servir a causa do homem, do trabalho e do progresso, da justiça social e da paz», acrescentou. 

O Papa convidou os sindicalistas a renovarem «o entusiasmo do início e redescobrir ainda mais vosso carisma original». 

«O mundo precisa de pessoas que se dediquem com desinteresse à causa do trabalho no respeito pleno à dignidade humana e do bem comum. A Igreja, que valoriza o papel fundamental dos sindicatos, está próxima de vós hoje como ontem, e está disposta a ajudar-vos, para que possais cumprir da melhor forma possível vosso dever na sociedade», afirmou.