Papa pede oposição a programas de assistência ligados à esterilização e anticoncepção

Confirma aos bispos da Tanzânia a posição da Igreja na luta contra a aids

| 756 visitas

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 11 de março de 2005 (ZENIT.org).- João Paulo II pediu a oposição da Igreja aos programas de assistência econômica que impõem a países em vias de desenvolvimento o controle da população através da esterilização ou da anticoncepção.



A proposta forma parte da mensagem que entregou esta sexta-feira na Policlínica Gemelli aos bispos da Conferência Episcopal da Tanzânia, representados pelo cardeal Polycarp Pengo, arcebispo de Dar-es-Salaam, e por Dom Severine Niwemugizi, bispo de Rulenge e presidente dessa Conferência Episcopal.

Em resposta aos «informes» redigidos pelos prelados, o Papa explica no texto que «hoje a Igreja está chamada a dar especial prioridade à atenção pastoral da família, por causa das grandes mudanças culturais que acontecem no mundo moderno».

«As novas idéias e estilos de vida que se propõem tem de ser analisados cuidadosamente à luz do Evangelho, de maneira que estes valores essenciais para a saúde e o bem-estar da sociedade sejam preservados», acrescenta a carta.

Em particular, «há que resistir energicamente ante a injustiça prática de ligar os programas de assistência econômica à promoção da esterilização e anticoncepção».

«Estes programas são afrontas à dignidade da pessoa e da família», indica o pontífice na mensagem escrita em inglês, citando o número 234 do recentemente publicado «Compêndio de Doutrina Social da Igreja».

A passagem do «Compêndio», redigido pelo Conselho Pontifício “Justiça e Paz”, citada pelo Papa acrescenta: «A resposta às questões ligadas ao crescimento demográfico deveria perseguir-se mais com o respeito tanto dos costumes sexuais como da ética social, promovendo uma maior justiça e uma autêntica solidariedade, de maneira que se respeite a dignidade da vida em todas as circunstâncias, começando pelas condições econômicas, sociais e culturais».

Desta forma, assegurou, estas políticas «ameaçam enterrar a compreensão cristã da natureza e dos fins do matrimônio».

«Segundo o desígnio do Criador, o laço sagrado do matrimônio simboliza a nova e eterna aliança estabelecida com o sangue de Cristo. Único e indissolúvel por natureza, tem de permanecer aberto à geração de nova vida, na qual os cônjuges cooperam na obra criadora de Deus», indica o Santo Padre.

«Como autênticos mestres da fé, segui proclamando estes princípios e construí a Igreja em vosso país como Família de Deus. Só deste modo se podem assentar os santos fundamentos da sociedade africana e do futuro da Igreja local», exorta.

«A promoção dos genuínos valores familiares é mais urgente que nunca, se se tem em conta o terrível flagelo da aids que está afetando vosso país e boa parte do continente africano», afirma o Santo Padre.

«Fidelidade no matrimônio e abstinência fora dele são os únicos modos seguros de limitar uma expansão maior do contágio. A comunicação desta mensagem deve ser um elemento chave na resposta da Igreja à epidemia», reconhece João Paulo II.

«Faz-me sofrer em particular o considerar que milhares de crianças ficaram órfãs como conseqüência deste vírus sem piedade --confessa por último--. A Igreja desempenha um papel vital na hora de oferecer a atenção e compaixão necessárias para estas vítimas inocentes, tragicamente privadas do amor de seus pais».