Papa proclama quatro novos santos, «obras-primas» da ação da Trindade

Na Praça de São Pedro, no Vaticano

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CIDADE DO VATICANO, domingo, 3 de junho de 2007 (ZENIT.org).- Em um «canto de louvor» à Santíssima Trindade e a sua obra, este domingo, no qual a Igreja universal celebra este mistério, Bento XVI canonizou três sacerdotes e uma religiosa.



Os novos santos são Jorge Preca (1880-1962) --presbítero maltês, fundador da Sociedade da Doutrina Cristã--, Simão de Lipnica (1439-1482) --polonês, presbítero da Ordem Franciscana dos Frades Menores--, Karel Van Sint Andries Houben (1821-1893) --holandês, presbítero da Congregação da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo-- e Maria Eugenia de Jesus (Anne-Eugènie Milleret de Brou) (1817-1898) --francesa, fundadora do Instituto das religiosas da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria --.

A persistente chuva da manhã este domingo não desanimou os dezenas de milhares de peregrinos; participaram da solene Eucaristia que o Papa presidiu, durante a qual se celebrou o rito de canonização.

A distinta procedência dos novos santos se refletiu na presença, também, dos numerosos concelebrantes que acompanharam o Santo Padre na Santa Missa, como foi o caso do cardeal Stanislaw Dziwisz -- arcebispo de Cracóvia, onde Simão de Lipnica desenvolveu seu trabalho --, ou do arcebispo emérito de Malta e do atual, respectivamente -- dom Joseph Mercieca e dom Paul Cremonia --. São Jorge Preca é muito amado na Ilha de Malta, da qual foram cerca de cinco mil peregrinos a Roma para celebrar sua canonização.

O presidente da Conferência Episcopal das Filipinas e numerosos compatriotas se uniram à Eucaristia. Igualmente se contou entre os concelebrantes o arcebispo de Paris, André Armand Vingt-Trois, presente pela canonização da religiosa, e o arcebispo de Dublin, Diarmuid Martin, vinculado espiritualmente à canonização do passionista, cujo trabalho aconteceu principalmente na Irlanda, ainda que muitos prelados holandeses, compatriotas deste novo santo, também acompanharam o rito.

Delegações variadas de autoridades civis, cujos países estão ligados à origem ou trabalho dos novos santos, também se encontraram na Praça de São Pedro, onde esteve a presidente da Irlanda -- Mary McAleese --, o presidente de Malta -- Edward Fenech Adami --, o presidente da Polônia -- Lech Kaczynski --, e a presidente das Filipinas -- Glória Macapagal Arroyo --, entre outras autoridades e representantes.

Admirando a glória de Deus, «que se reflete na vida dos santos», entre eles os proclamados este domingo, Bento XVI convidou em sua homilia -- ao término do rito de canonização -- da Solenidade da Santíssima Trindade a dirigir o olhar «para “os céus abertos”, para encontrar com os olhos da fé a profundidade do mistério de Deus, Uno na substância e Trino nas Pessoas».

«A Sabedoria de Deus se manifesta no cosmos, na variedade e beleza de seus elementos, mas suas obras-primas são os santos», reconheceu o Santo Padre. Esta Sabedoria é a «emanação do poder de Deus», «que renova o universo», «entrando nas almas santas, forma nelas amigos de Deus e profetas», sublinhou, citando a Escritura.

De maneira similar, o amor de Deus se derrama no coração dos santos -- «isto é, dos batizados» --, por meio do Espírito Santo, assinalou o Papa, afirmando que «é através de Cristo que passa o dom do Espírito Santo».

«Por meio de Cristo -- prosseguiu --, o Espírito de Deus chega a nós como princíppio de nova vida, “santa”»; «põe o amor de Deus no coração dos crentes na forma concreta que tinha no homem Jesus de Nazaré».

E na mesma perspectiva, «da Sabedoria de Deus encarnada em Cristo e comunicada pelo Espírito Santo», «Deus Pai continua manifestando seu projeto de amor mediante os santos», explicou Bento XVI remetendo-se ao Evangelho.

«Cada santo participa da riqueza de Cristo tomada do Pai e comunicada em tempo oportuno. É sempre a mesma santidade de Jesus, é sempre Ele, o “Santo”, a quem o Espírito plasma nas “almas santas”, formando amigos de Jesus e testemunhas de sua santidade».

«Deixamo-nos atrair» pelo exemplo dos santos, «deixemo-nos guiar por seus ensinamentos, para que toda nossa existência se converta, como a sua, em um canto de louvor à glória da Santíssima Trindade», concluiu Bento XVI, recorrendo à intercessão de Maria, Rainha dos Santos.