Papa propõe criar espaços para afastados nas paróquias

Trata-se de «facilitar sua reincorporação» à vida da Igreja

| 942 visitas

Por Inma Álvarez

ROMA, terça-feira, 3 de março de 2009 (ZENIT.org).- Bento XVI considera que nas paróquias hoje é importante proporcionar espaços para que os afastados, a quem a secularização atual converteu em «estranhos» à vida da Igreja, se aproximem dela progressivamente.

Assim manifestou durante seu encontro anual de Quaresma com os párocos da diocese de Roma, realizado na quinta-feira passada, 26 de fevereiro, na Sala da Bênção do Vaticano, e no qual, em um ambiente de espontaneidade, quis responder pessoalmente a suas inquietudes e perguntas. 

A segunda pergunta foi formulada pelo sacerdote Fabio Rosini, pároco de Santa Francesca Romana all'Ardeatino, sobre como enfrentar o atual processo de secularização, vencendo a tentação de recorrer a métodos de «êxito pastoral» momentâneo que não trazem fruto no futuro. 

Diante disso, o Papa explicou que há «dois critérios de discernimento» para «não correr em vão» no trabalho evangelizador. 

Em primeiro lugar, enfatizou a importância de não descuidar das comunidades já existentes: «A comunidade dos fiéis é preciosa, não devemos subestimar – inclusive considerando os muitos que estão longe – a realidade bela e positiva que constroem estes fiéis, que dizem sim ao Senhor na Igreja, tentando viver a fé, tentando seguir os passos do Senhor». 

É muito importante, sublinhou, que os fiéis «encontrem realmente em seu pároco o pastor que os ama e os ajuda a escutar hoje a Palavra de Deus, a entender que é uma Palavra para eles e não só para as pessoas do passado ou do futuro; que os ajuda, ainda mais, na vida sacramental, na experiência da oração, na escuta da Palavra de Deus e no caminho da justiça e da caridade».

Trata-se, acrescentou, de potencializar a própria comunidade crente como evangelizadora: «os cristãos deveriam ser fermento de nossa sociedade, com seus problemas, com tantos perigos e tanta corrupção». 

Os cristãos que vivem abertamente sua fé «podem representar também um papel missionário sem palavras – explicou. Se há pessoas ou comunidades que fazem esta escolha completa da vida e tornam visível o fato de que a vida que escolheram é realmente vida, dão um testemunho de grandioso valor». 

«É algo absolutamente indispensável, fundamental, dar, com o testemunho, credibilidade a esta Palavra, para que não apareça só como uma bonita filosofia, ou como uma bonita utopia, mas sim como uma realidade. Uma realidade com a qual se pode viver, mas não só isso: uma realidade que faz viver. Neste sentido, parece-me que o testemunho da comunidade crente, unida à Palavra, ao anúncio, é de grande importância.»

O segundo critério é o do anúncio da Palavra, «abrindo lugares de experiência da fé àqueles que procuram Deus», ou seja, recuperar a experiência do catecumenato da Igreja antiga. 

Este catecumenato «não era simplesmente uma catequese, algo doutrinal, mas um lugar de experiência progressiva da vida de fé, na qual se abre também a Palavra, que se converte em compreensível só se for interpretada pela vida, realizada pela vida», afirmou. 

O Papa sublinhou a importância de que as paróquias abram «lugares de hospitalidade da fé», hospitalidade «para com aqueles que não conhecem esta vida típica da comunidade paroquial». 

As paróquias «devem abrir-se e tentar criar espaços de proximidade. Uma pessoa que vem de longe não pode imediatamente entrar na vida formada de uma paróquia, que já tem seus costumes. Para este, no começo, é muito surpreendente, distante da sua vida». 

Portanto, acrescentou, «devemos tentar criar, com ajuda da Palavra, o que a Igreja antiga criou com os catecumenatos: espaços nos quais seja possível começar a viver a Palavra, seguir a Palavra, torná-la compreensível e realista, correspondente a formas de experiência real». 

Não há receitas 

O Papa mostrou sua satisfação porque nas paróquias «se está fazendo realmente este primeiro anúncio, que vai além dos limites da comunidade fiel, da paróquia, na busca das chamadas ‘ovelhas perdidas’». 

«Para este trabalho concreto eu não posso dar receitas, porque há diversos caminhos a seguir, segundo as pessoas, seus profissionais, as diferentes situações», declarou. 

O catecismo «indica a essência do que é preciso anunciar. Mas é quem conhece as situações que deve aplicar as indicações, encontrar um método para abrir os corações e convidar a colocar-se a caminho com o Senhor e com a Igreja». 

Em todo caso, seja qual for o caminho que se utilize para a evangelização, é necessário «estar sempre na grande comunhão da Igreja, ainda que talvez em um espaço um pouco distante, ou seja, em comunhão com o bispo, com o Papa, em comunhão com o grande passado e com o grande futuro da Igreja». 

«Estar na Igreja Católica de fato não implica só estar em um grande caminho que nos precede, mas significa estar em perspectiva de uma grande abertura ao futuro. Um futuro que se abre só desta forma», concluiu.