Papa: Transformar valores, como a solidariedade, em ganhos econômicos

Palavras à Fundação Centesimus Annus: o empresário cristão deve sempre confrontar o evangelho com a realidade em que trabalha

Roma, (Zenit.org) Redacao | 453 visitas

O papa Francisco recebeu em audiência na Sala Clementina do Vaticano, no último sábado, os participantes do encontro internacional promovido pela Fundação Centesimus Annus – Pro Pontífice.

O tema do congresso, realizado na Sala Nova do Sínodo, foi “A boa sociedade e o futuro do trabalho: solidariedade e fraternidade podem fazer parte das decisões empresariais?”.

O Santo Padre agradeceu aos participantes por terem “acolhido as sugestões de trabalhar no valor da solidariedade”, visando refletir sobre um “empenho intrínseco da doutrina social que sempre o harmoniza com a subsidariedade”. Solidariedade, subsidariedade, um tema que “emergiu com grande destaque no magistério de João Paulo II” e que depois foi “atualizado pelo papa Bento XVI na Caritas in Veritate”.

O Santo Padre recordou que o atual sistema econômico e a mentalidade que ele gera fez com que “a palavra solidariedade tenha se tornado incômoda”. A crise dos últimos anos, “que tem causas profundas de tipo ético, aumentou essa 'alergia' a palavras como solidariedade, distribuição equitativa dos bens, prioridade do trabalho... E a razão é que não se consegue, ou não se quer, estudar realmente de que maneira esses valore éticos podem se tornar concretamente valores econômicos”. Desta forma, o papa convidou os ouvintes a “provocar dinâmicas virtuosas na produção, no trabalho, no comércio e nas próprias finanças”.

Francisco destacou que é na consciência do empresário que se realiza tal aplicação, porque “o empresário cristão tem sempre que confrontar o evangelho com a realidade em que trabalha” e o evangelho pede que seja colocada “em primeiro lugar a pessoa humana e o bem comum”. Cada empresário deve fazer a sua parte para criar oportunidades de trabalho digno. Para isso, é necessário “colaborar com outras pessoas que compartilham a mesma base ética e ampliar a rede ao máximo possível”.

“A comunidade cristã, as paróquias, dioceses e associações são o lugar em que o empresário, o político, o profissional e o sindicalista encontram a seiva para alimentar o seu comprometimento”. Francisco ainda convidou os participantes a não deixarem sozinhos os empresários que passam por dificuldades.