Paquistão: defesa da moratória da lei da blasfêmia

Após a prisão de outro cristão por este suposto crime

| 935 visitas

ROMA, terça-feira 12 de abril de 2011 (ZENIT.org) - Após a prisão de outro cristão no Paquistão sob a acusação de blasfêmia, elevam-se vozes de muitas partes, que pedem uma moratória da lei relativa a este crime.

Sustentando a moratória está Paul Bhatti, assessor especial do primeiro-ministro para os Assuntos das Minorias Religiosas e irmão de Shabhaz, Ministro das Minorias, morto em 2 de março por sua oposição à lei da blasfêmia e pela defesa de Asia Bibi.

"Precisamos encontrar uma solução para evitar o abuso da lei. Podemos começar com uma moratória ou pensar nas modificações. É preciso também trabalhar para mudar a mentalidade e cultura: no Paquistão há pessoas e organizações que usam esta lei para criar discórdia e tensões sociais", disse Paul Bhatti à agência vaticana ‘Fides'.

Mehdi Hassan, presidente da ‘Comissão de Direitos Humanos do Paquistão' lembrou a ‘Fides' que "antes de 1986, não havia acusações de blasfêmia no Paquistão, e depois nós tivemos, em 20 anos, cerca de 1000 casos, enquanto 70 pessoas, acusadas somente de blasfêmia, foram vítimas de execuções extrajudiciais".

Por sua parte, o Pe. Mario Rodrigues, diretor das Pontifícias Obras Missionárias do Paquistão, recordou que "a lei sobre a blasfêmia é chamada de ‘lei negra'. Hoje, quem se opõe a ela é tachado de blasfemo e arrisca a vida".

"A ideia de uma moratória sobre a sua aplicação é muito favorável - indicou; pelo menos serviria para prevenir novos casos com base em falsas acusações. Mas acho que o governo dificilmente vai querer correr o risco."

Nova detenção

O cristão que foi detido recentemente, em 5 de abril, se chama Arif Masih, tem 40 anos e mora no povoado de Chak Jhumra, no território de Faisalabad.

A Comissão Justiça e Paz, da diocese de Faisalabad, expressou a ‘Fides' "grande preocupação por um novo caso com base em acusações falsas".

De acordo com o relatório da polícia, Arif foi acusado de arrancar algumas páginas do Alcorão e de ter escrito cartas ameaçadoras a alguns muçulmanos, para que se convertessem ao cristianismo.

O irmão do preso, Ejaz Masih, disse à Comissão Justiça e Paz que Arif foi vítima de uma armadilha orquestrada por Shahid Yousaf, seu vizinho. Yousaf também tem dois irmãos que trabalham na polícia e que o ajudaram a tramar a cena.

A convicção dos amigos e parentes quanto à falsidade das acusações contra Arif também se baseia no fato de que a família deste homem ganhou recentemente um processo legal sobre a propriedade de um terreno, e o quem o acusa é um membro da família muçulmana que perdeu a disputa.

"A polícia está investigando o caso. Se constatarmos que as acusações são falsas, prenderemos os verdadeiros culpados", disse Naseem Sadiq, coordenador distrital da Polícia.