Paquistão: não aumentar a tensão, diz arcebispo

Diante do caso de Asia Bibi e do assassinato do governador de Punjab

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LAHORE, quarta-feira, 26 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – “No caso de Asia Bibi, uma condenação direta da política paquistanesa não melhoraria a situação”, afirma o presidente da Conferência Episcopal do país, o arcebispo de Lahore, Dom Lawrence Saldanha.

Vinte dias depois do assassinato do governador da província de Punjab, Salman Taseer, por suas opiniões a favor da uma reforma das leis de blasfêmia, Dom Saldanha assinalou – em conversa telefônica com Eglises d’Asia – que a situação está acalmando pouco a pouco. 

O prelado comentou uma resolução votada no dia 20 de janeiro pelo Parlamento Europeu, que pedia ao presidente conceder indulto a Asia Bibi, cristã condenada à morte por blasfêmia.

Dom Saldanha afirmou que, ainda que os cristãos agradeçam pelas demonstrações de apoio recebidas de países europeus, uma condenação direta do Paquistão por parte de instâncias europeias “não produziria nenhum resultado positivo”.

Em sua opinião, seria melhor esperar que a opinião pública no Paquistão siga perdendo o interesse pelo caso de Asia Bibi, o que permitirá ao Supremo Tribunal examinar com serenidade o caso para voltar a julgá-lo, estabelecer a inocência da jovem cristã e absolvê-la. 

Sobre as manifestações que nas últimas semanas reuniram milhares de pessoas nas ruas das grandes cidades do país para reclamar a libertação do assassino do governador Salman Taseer ou pedir a morte de Asia Bibi, o arcebispo disse que se trata de eventos políticos ou emotivos.

As datas do processo de apelação de Asia Bibi são incertas. Alguns observadores locais afirmam que os juízes consideram mais prudente atrasar um pouco o processo, diante das fortes tensões sociais, políticas e religiosas. 

O arcebispo expressou sua preocupação pela falta de perspectiva de uma possível reforma das leis de blasfêmia. Mas ele acredita que isso ainda é possível. “Não sou demasiado pessimista”, disse.