Paquistão: político é assassinado por apoiar Asia Bibi

Presidente do episcopado lamenta a morte do governador do Punjabe

| 962 visitas

ISLAMABADE, segunda-feira, 10 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) - O governador da província paquistanesa do Punjabe, Salman Taseer, foi morto na terça-feira, 4 de janeiro, na garagem de um restaurante de Islamabade, ao ser atingido por uma rajada de Kalashnikov disparada por um dos seus guarda-costas.

O assassino, que pertence a uma seção de elite da província de Punjabe, responsável pela segurança de VIPs, disse que havia matado Taseer "porque ele tinha qualificado as leis antiblasfêmia como kala kanoon (‘lei negra')", informou a agência Eglises d'Asie.

A vítima, de 65 anos e muçulmano, tinha manifestado a sua oposição a essas leis no final de 2010, quando exortou o presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, a perdoar a cristã Asia Bibi, condenada à morte com base nas leis antiblasfêmia.

Numerosas vozes, no Paquistão e outros países, têm se levantado para condenar o assassinato de Salman Taseer.

O presidente da Conferência de Bispos Católicos do Paquistão e arcebispo de Lahore, Dom Lawrence Saldanha, descreveu a notícia como um "choque" e disse: "Nós perdemos um grande amigo e um acérrimo opositor da lei sobre a blasfêmia".

Por sua vez, o bispo auxiliar de Lahore, Dom Sebastian Shaw, disse a Ajuda à Igreja que Sofre que as pessoas estão comovidas e horrorizadas com a morte do governador de Punjabe.

O bispo está pedindo aos fiéis que evitem ações ou comentários em público que poderiam ser mal-interpretados e usados para justificar atos de violência e intimidação.

"Não devemos viver no medo - disse ele; devemos ter confiança em Deus, mas se andamos por aí expressando-nos neste momento, isso pode gerar uma reação negativa."

Os artigos 295B e 295C do Código Penal do Paquistão - as leis sobre a blasfêmia - preveem sanções, inclusive a morte, para quem insulta o profeta Maomé, e prisão pela profanação do Alcorão.

Estas regras têm levado a uma crescente oposição dos defensores dos direitos humanos, não só pela rigidez das sanções, mas também e sobretudo pelo fato de que agora se tornaram pretexto para a violência e a intimidação das minorias.

Asia Bibi foi a primeira mulher condenada à morte com base nessas leis. Seu destino dependerá da decisão do Tribunal Superior.

Em algumas cidades do Paquistão, têm sido realizadas manifestações em defesa das leis sobre a blasfêmia. Em Peshawar, um imame ofereceu uma recompensa de 5.853 dólares pelo assassinato de Asia Bibi.