Paquistão: Processo de Asia Bibi adiado para data a se definir

Católica, mãe de família, condenada à morte por Blasfêmia. Presa há mais de 4 anos na penitenciária feminina de Multan, espera o processo de apelação

Roma, (Zenit.org) Redacao | 286 visitas

A Alta Corte de Lahore comunicou que a apelação foi adiada “para uma data a se definir”. A tática dos adiamentos contínuos (o quarto em dois meses) constitui uma “lesão das prerrogativas de justiça para um cidadão paquistanesa, como Asia”, nota à Fides o advogado de Asia, o cristão Naeem Shakir.

O advogado havia explicado à Fides que depois da transferência de um dos juízes, o caso de Asia passou para outro colégio e depois, para um terceiro. O fato é que “toda a série de processos de que o primeiro colégio era encarregada está agora em mãos de novos juízes, e todas as audiências foram marcadas, menos as do processo de Asia Bibi”.

“Estamos desiludidos e frustrados. É um procedimento não correto e pouco transparente. Não existe alguma razão plausível para que apenas o processo de Asia Bibi não esteja agendado. É um adiamento injustificável. Pedirei um encontro com o presidente da Alta Corte para receber esclarecimentos. Se não formos atendidos, escreveremos uma carta, como Conselho da ordem dos advogados”, afirma Shakir à Fides.

Asia Bibi foi condenada à morte por suposta blasfêmia em 8 de Novembro de 2010, em primeira instância. O recurso foi protocolado na Alta Corte de Lahore em 11 de novembro de 2010. Mas, por razões de conveniência, de pressões políticas e religiosas, só agora, quatro anos depois, foi levado em consideração pelo Tribunal. Para Ásia, presa há mais de 4 anos e meio, preveem-se ainda diversos meses de detenção na prisão feminina de Multan.

No Paquistão, onde 97 por cento da população é muçulmana, a lei sobre a blasfêmia é severa, prevê a pena de morte, e apoia o flagelo a minoria cristã, cerca de 4 milhões, em sua maioria católicos, um pouco mais de 2 por cento da população do Paquistão, com acusações infundadas que alimentam o fundamentalismo islâmico.

Apesar das inúmeras denúncias de várias personalidades sobre uso injusto da aplicação das normas, a realidade é que aqueles que tentam abolir ou reformar sofrem a violência do extremismo muçulmano. Como aconteceu em 2011, com o ministro federal para as minorias religiosas no Paquistão, o católico Shahbaz Bhatti, que foi morto a tiros.

(Trad.:MEM)