Para enfrentar problemas atuais, arcebispo indica ascese solidária

É preciso pensar nos mais pobres e sofredores, diz Dom Walmor de Azevedo

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Por Alexandre Ribeiro

BELO HORIZONTE, sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009 (ZENIT.org).- Neste tempo de crise, é especial o apelo para que cada um não se esforce apenas para «conquistar comodidades e garantias», mas que haja «esforço e método para se alcançar um modo de viver mais digno e mais solidário», afirma o arcebispo de Belo Horizonte (Brasil).

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, em artigo difundido hoje pelo site de sua arquidiocese, explica que a solidariedade, «fonte de valor moral, é um remédio indispensável para as labutas desta hora».

Se se dispensa o exercício da solidariedade, «a hegemonia será dada a interesses e prioridades que geram, ao contrário de promover a superação, a exclusão, a cultura da desonestidade, a mesquinhez dos próprios interesses com a incapacidade de perceber a necessidade dos que precisam mais».

Solidariedade, portanto, «não pode ser um gesto esporádico ou um ato pontual na vida de alguém para alguém. O entendimento de solidariedade é a exigência de reconhecer, no conjunto dos liames que unem os homens e os grupos sociais entre si, o espaço oferecido à liberdade humana para prover o crescimento comum, compartilhado por todos», explica.

O arcebispo diz que é preciso que os homens e mulheres deste tempo cultivem a consciência do débito têm para com a sociedade em que estão inseridos.

«A consciência deste débito supõe uma novidade na conduta humana contemporânea. A proposta é o cultivo de uma ascese, isto é, uma vida ascética como possibilidade de crescimento e avanço numa configuração menos indiferente, egoísta e perversa que têm marcado as feições deste tempo.»

Segundo Dom Walmor, «não se pode admitir mais que se pense e organize a própria vida, fazendo uso do que está disponível para o bem de todos, com a meta de atendimento, a todo custo, dos próprios interesses e mesmo das próprias necessidades».

«Esta direção é a direção do fracasso de qualquer sociedade ou grupo humano. Cria-se o desejo tirânico e a convicção do direito de se usufruir de tudo sem comprometer a própria comodidade, devendo lutar, egoisticamente, para garanti-la previamente», afirma.

O arcebispo explica que a ascese é o conjunto de esforços para progredir na vida moral, religiosa, política e cívica.

«É preciso esforço e método para se alcançar um modo de viver mais digno e mais solidário em se pensando os mais pobres e sofredores, aos milhares nos diferentes cenários do mundo.»

«Há um esforço indispensável para se alcançar uma compreensão e conduta moral que alavanquem a vivência cidadã pautada por valores cidadãos, pelo altruísmo, pela capacidade e gosto de fazer esforços e mesmo sacrifícios pelo bem dos outros», enfatiza.

Dom Walmor reconhece que esta é uma proposta «na contramão da cultura atual». «Mas, indispensável sob pena de fazermos da sociedade contemporânea um verdadeiro inferno de disputa e usufruto desenfreado de tudo, valendo qualquer coisa, desde que se atenda a necessidade tirânica do desejo ou a convicção do direito de respeito à própria liberdade a qualquer custo».

«Ascese solidária é uma exigência que adverte e aponta acerca dos excessos que estão na configuração do viver contemporâneo, acentuando a exclusão e perpetuando barbaridades contra pessoas e instituições, impedindo crescimento, atualização e novas respostas», afirma o arcebispo.