"Para evangelizar devemos acolher os desafios dos novos meios de comunicação"

Monsenhor Fisichella apresenta o "Projeto Pastoral da Evangelii Gaudium"; evento organizado pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização que acontecerá de 18 a 20 de setembro

Roma, (Zenit.org) Federico Cenci | 467 visitas

A Exortação Apostólica Evangelii Gaudium  foi "escrita à luz da alegria de reencontrar a fonte da evangelização no mundo contemporâneo". Essa é a expressão com que Dom Rino Fisichella, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, resume o conteúdo do documento que o Papa Francisco oferece à Igreja. O impulso para "redescobrir esta fonte" será apresentado com o Projeto Pastoral da Evangelii Gaudium, organizado pelo Dicastério presidido por Fisichella que será realizado de 18 a 20 de setembro na Sala Paulo VI, no Vaticano.

Zenit: Vossa Excelência, como surgiu a ideia de propor um encontro deste tipo?

Dom Fisichella: Nasceu a partir da leitura da Evangelii Gaudium, que o Papa disse explicitamente que é o programa de seu pontificado. Então, o encontro de setembro pretende traduzir este texto em uma ação pastoral autêntica, que permita às várias igrejas ao redor do mundo expressar uma dupla realidade: uma evangelização genuína e a riqueza de suas tradições culturais e eclesiais através de metodologias e experiências específicas de cada comunidade.

Zenit: Quais são os principais e originais estímulos da Evangelii Gaudium para aqueles envolvidos com a Nova Evangelização?

Dom Fisichella: Conforme seu estilo, o Papa nos presenteou com esta Exortação Apostólica uma enorme riqueza de sugestões que traz à luz várias iniciativas. Nós reunimos os itens mais inerentes a Nova Evangelização: em particular penso nas expressões de uma "pastoral urbana", os temas da piedade popular, as questões relacionadas com a família. Mas não podemos esquecer a frequente menção do Papa ao anúncio kerigmático, ou seja, reestabelecer a primazia do anúncio de Jesus Cristo. Anúncio que deve ser feito com o conhecimento da nova linguagem das mídias sociais, através de trabalhos pastorais vivos, dinâmicos e capaz de testemunhar o amor e a misericórdia.

Denominador comum desses elementos é a atenção especial aos pobres. Por isso, vamos começar o encontro com o testemunho de Jean Vanier, um dos maiores profetas da presença entre os "últimos" para transmitir alegria e esperança.

Zenit: Quem são os destinatários desta iniciativa?

Mons. Fisichella: Todos os agentes pastorais. Para este encontro, com mais de mil pessoas já inscritas, convidamos os bispos, responsáveis pelas comissões pastorais, sacerdotes, diáconos, catequistas... todos aqueles que estão envolvidos no caminho da evangelização.

Zenit: Primeiro, o senhor fez referência a "nova linguagem dos meios de comunicação”. Na era digital, quão importante é saber tirar proveito dessas ferramentas?

Mons. Fisichella: Estou fortemente convencido de que não podemos mais pensar nessas formas apenas como ferramentas. Hoje estamos diante de um desafio cultural, portanto, devemos abandonar a mentalidade incapaz de ler o progresso inerente à comunicação hodierna. Assim como no passado, o cristianismo se encontrou com a cultura grega, as culturas da África, Ásia, sabendo colher os traços positivos e superando as limitações, tendo em vista a riqueza do Evangelho, agora temos que aceitar o mesmo desafio diante da comunicação. Essa linguagem está relacionada a um novo idioma, mas também a novos comportamentos. Percebemos isso nas novas gerações: basta observar as crianças que participam da catequese para a Primeira Comunhão para entender como o comportamento deles mudou. Temo que estejamos atrasados ​​nessa perspectiva, por isso precisamos de um encontro genuíno para penetrar nessa nova cultura, para compreender os aspectos positivos e mostrar os limites.

Zenit: Quais são os limites e as armadilhas por trás dessa nova cultura?

Mons. Fisichella: Eu penso, sobretudo em um tema que para nós não é secundário, ou seja, a relação entre a comunicação através da Internet e seus usuários. Muitas vezes, no meio de tantas notícias não verificadas e de todos os tipos, torna-se difícil compreender a verdade. Portanto, também é necessário uma profunda atenção sobre estas questões.

Zenit: De modo geral, quais são os maiores obstáculos que a sociedade contemporânea coloca no caminho da Nova Evangelização?

Mons. Fisichella: O maior obstáculo, sempre relacionado ao tema da comunicação, é a ausência de um encontro pessoal. A fé sempre foi transmitida porque duas pessoas se encontraram e olharam nos olhos: atualmente está cada vez mais difícil, já que há uma tendência a se fechar na esfera do privado. É, portanto, o oposto da evangelização, que exige sair de nós mesmos e compartilhar com outros a experiência alegre do encontro com Jesus. Outra limitação importante, além da relação com a verdade, é este "circuito" cada vez mais privado que empobrece.

Zenit: Durante o encontro haverá também um encontro com o Papa...

Mons. Fisichella: O Papa nos "provocará", mais uma vez, para sermos alegres agentes de evangelização e pastoral. Esperamos com curiosidade, mas também com esperança este encontro e suas palavras que, como sempre, sairão do coração e irá impressionar os participantes, dando entusiasmo para percorrer um caminho, o da evangelização, que é muito exigente e requer um grande apoio.

Zenit: Este é apenas o primeiro de uma série de encontros agendados. O senhor poderia antecipar alguma coisa?

Mons. Fisichella: No próximo ano, 2015, o Dicastério para a Nova Evangelização está cheio de iniciativas. Em colaboração com as Conferências Episcopais foram organizados encontros sobre o tema da catequese e estamos organizando um encontro com todos os responsáveis pelos Santuários para dar ao tema da piedade popular uma expressão concreta da nova evangelização. Planejamos várias iniciativas com os responsáveis pela comunicação e ​​pela pastoral. Neste sentido, gostaríamos de estender a "Missão Metrópole", que fizemos em 2011, para transformá-la em uma iniciativa geral para as várias Igrejas. Em seguida, para os dias 13 e 14 de Março vamos propor novamente a experiência de “24 horas para o Senhor", que será uma celebração com o Papa, mas também a abertura das igrejas durante a noite para que o sacramento da reconciliação seja visto como um espaço de misericórdia.

Para participar do evento acesse: http://www.novaevangelizatio.va/content/nvev/it.html

(Trad.:MEM)