Parlamento Europeu contra violência religiosa

Documento pede à UE “estratégia para a liberdade religiosa no mundo”

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ROMA, sexta-feira, 21 de janeiro de 2011 (ZENIT.org) – Depois dos recentes atentados contra os cristãos no Oriente Médio, em particular no Iraque e no Egito, os deputados europeus aprovaram ontem uma resolução que condena as violências de índole religiosa. A resolução pede ao Alto Representante da União Europeia para Assuntos Exteriores, Catherine Asthon, que atue com urgência.

O documento condena os ataques no Egito, Nigéria, Filipinas, Chipre, Irã e Iraque, e pede ao Conselho de Assuntos Exteriores, que se reunirá em 31 de janeiro, a inclusão do tema na ordem do dia.

Entre os episódios mencionados no texto, aprovado pelo Parlamento por grande maioria, aparece ainda a interrupção violenta, por parte das autoridades turcas, de uma missa de rito cristão celebrada no dia de Natal por 300 fiéis do norte do Chipre.

Os deputados europeus denunciam “a instrumentalização da religião em conflitos de natureza política” e pedem uma estratégia da União Europeia para reforçar o direito humano à liberdade religiosa.

Esta estratégia, afirmam eles, deveria prever “uma lista de medidas a ser tomadas contra os países que não garantem a proteção às comunidades religiosas”.

Frente comum

Catherine Ashton prometeu que a “União Europeia não fechará os olhos” para o problema, condenando os recentes ataques contra os cristãos e o assassinato, no Paquistão, do governador do Punjab.

“Não devemos cair na armadilha dos extremistas e terroristas”, declarou, sublinhando a necessidade de “resistir a quem quer fazer da religião um motivo de divisão”.

“A melhor resposta ao extremismo é criar uma frente internacional unida, apoiada em padrões universais de liberdade de credo e de religião”, acrescentou.

Pelo Partido Popular Europeu, pronunciou-se no debate Mario Mauro, chefe de grupo do PdL e promotor da resolução. “Cristianismo e Ocidente, para os grupos fundamentalistas que estão atacando as comunidades cristãs de meio mundo, representam o inimigo a combater”.

Mauro pediu a Ashton que a UE adote “uma estratégia para a liberdade religiosa no mundo”.

Evocando Belém, berço do cristianismo, o popular Elmar Brok observou que “uma tradição que dura dois mil anos poderia terminar”, e exortou a UE a se pronunciar com dureza contra os ataques, sem esquecer uma menção aos cristãos da China, frequentemente perseguidos por causa da sua fé.

Segundo o deputado alemão, “75% das violências religiosas no mundo acontece contra os cristãos”.

Entre os outros deputados que se manifestaram no debate, o social-democrata Johannes Swoboda condenou os ataques, mas alertou também para uma certa “islamofobia” que pode se difundir pela Europa, enquanto a verde Nicole Kiil-Nielsen comentou que “a Europa não deve permitir que os extremistas ditem a agenda, nem dar uma falsa impressão dos muçulmanos em geral”.

Após o debate, os deputados italianos organizaram uma manifestação com velas acesas em solidariedade aos cristãos vítimas da violência, iniciativa dos dois partidos majoritários. Participou da manifestação o presidente do Parlamento, Jerzy Buzek.

Conferência no Conselho da Europa

O Centro Europeu pelo Direito e Justiça (European Centre for Law and Justice, ECLJ) aplaudiu a resolução e anunciou uma conferência durante a próxima sessão da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, no dia 25 de janeiro, sobre o tema “Perseguição contra os cristãos orientais: qual é a resposta da Europa?”.

“É necessário que os Estados europeus se comprometam a ajudar os cristãos”, destaca um comunicado do ECLJ. “Os Estados europeus deveriam condenar com força essa terrível violência e empreender as ações necessárias para pressionar os países a defenderem suas minorias religiosas”.