Páscoa não é simples recordação de fatos históricos passados, diz cardeal
É momento de renovação da adesão a Jesus Cristo, afirma D. Odilo Scherer
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Por Alexandre Ribeiro
SÃO PAULO, quinta-feira, 20 de março de 2008 (ZENIT.org).- O arcebispo de São Paulo explica que, embora faça referência a eventos ligados à pessoa histórica e à vida de Jesus e de seus discípulos, a Páscoa não é simples recordação de fatos históricos passados.
Em mensagem aos fiéis com motivo da Páscoa, o cardeal Odilo Scherer destaca que é preciso lembrar sempre que Jesus Cristo «não foi apenas um entre tantos outros condenados e crucificados; apenas mais um inocente supliciado injustamente».
«Vivendo como verdadeiro homem, Ele era também o Filho unigênito de Deus. A lógica dos interesses e cálculos humanos se impôs por um momento sobre Aquele que veio ao mundo para ser “caminho, verdade e vida” para toda a humanidade», afirma.
Segundo o arcebispo de São Paulo, essa condenação «representou a rejeição do reinado de Deus entre os homens e representou a tentativa de fazer triunfar ainda o reinado da iniqüidade, fonte das injustiças, violências e sofrimentos infligidos ao próximo».
Sendo assim, afirma Dom Odilo, a celebração da paixão de Cristo também «interpela nossas consciências e as escolhas e rumos da sociedade».
«Mais do que mera consideração histórica sobre aquilo que aconteceu com Jesus há dois milênios, trata-se de uma ocasião e de um convite para que, também hoje, cada um de nós procure situar-se e fazer a sua escolha.»
«Estamos do lado da morte ou da vida?» -- questiona o arcebispo. «Aquilo que levou à rejeição e à crucificação de Jesus, Filho de Deus-Filho do Homem, foi o fechamento à verdade e aos caminhos de Deus», explica.
Foi também «a desvirtuação da verdade pelo poder, não mais exercido como um serviço ao próximo e à humanidade, mas como afirmação soberba das vaidades deste mundo».
«Mas eis que a vida triunfou. Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos e o mostrou vivo e glorificado diante deles», destaca o cardeal.
Desse modo, a ressurreição de Jesus «atestou de maneira inequívoca que Deus estava com Ele e, assim, confirmou a verdade do Evangelho por Ele anunciado».
Cristo é o «príncipe da vida» -- afirma Dom Odilo -- e «pode dar vida plena àqueles que estão com Ele».
«Por isso mesmo, a celebração da Páscoa é para nós, cristãos, o momento da renovação das promessas o Batismo e da nossa adesão a Jesus Cristo e seu Evangelho. “Escolhe, pois, a vida”, convida-nos a Igreja.»
Segundo o cardeal, acolher Jesus Cristo é escolher o “caminho, a verdade e a vida”. «Ele triunfou sobre a lógica da morte e nos dá a esperança da vida plena e da superação de toda a trama do reino da morte, que ainda está presente neste mundo», afirma.


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