Patriarca de Constantinopla: não ter medo de dialogar com Roma

Critica os grupos que se opõem ao ecumenismo

| 1475 visitas

Por Inma Álvarez 

ISTAMBUL, terça-feira, 23 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- O patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, defende o diálogo ecumênico empreendido com as demais confissões cristãs, especialmente com a Igreja Católica, em sua mensagem por ocasião do Domingo da Ortodoxia, celebrado no último dia 21 de fevereiro, primeiro domingo da Quaresma.

A unidade entre os cristãos, afirma o patriarca, é “vontade do próprio Cristo” e “condição necessária” para o diálogo com o mundo. Por isso, critica os círculos que se opõem a este diálogo, acusando-os de distorcer a realidade para inquietar os fiéis.

Por isso, convida os cristãos ortodoxos a confiarem na Igreja, pois “a Ortodoxia, para se proteger, não necessita de qualquer fanatismo ou intolerância”.

“Aquele que crê que a Ortodoxia tem a verdade, não teme o diálogo, pois a verdade jamais foi ameaçada pelo diálogo”, afirma Bartolomeu I.

Necessidade do diálogo

O patriarca explica que a Ortodoxia “não é um tesouro de museu que deva ser apenas conservado; mas um sopro de vida que deve ser estendido a todos, para que leve vida aos homens”.

Se a Ortodoxia se fechar em si mesma, afirma, corre o risco de converter-se em um “grupo fechado e autocomplacente, um ‘gueto’ à margem da história”.

No entanto, sublinha, este diálogo “não alcançará o mundo exterior se não passar primeiro por todos aqueles que levam o nome de ‘cristãos’”, com o fim de “resolvermos nossas diferenças, para que o nosso testemunho no mundo seja crível”.

Neste sentido, afirmou que estes esforços pela unidade “são a vontade e o mandato do Nosso Senhor”.

“Não é possível, portanto, que permaneçamos indiferentes ao pedido de unidade dos cristãos feita pelo Senhor. Isto constituiria uma traição criminosa e uma transgressão ao seu divino mandamento.”

Distorções

Por isso, lamentou a atuação de certos círculos, denominados por ele como “fanáticos”, que “reclamam exclusivamente para si mesmos o título de ‘zelosos defensores da ortodoxia’” e que se opõem à decisão de “todos os patriarcas e santos sínodos que compõem as  diversas igrejas ortodoxas em todo mundo, por unanimemente apoiarem a continuação destes diálogos”.

Mas lamenta particularmente que estes setores críticos “nem sequer hesitam em distorcer a realidade, semeando enganos entre os fiéis”, silenciando “o fato de que os diálogos teológicos são levados a cabo por decisão unânime de todas as igrejas ortodoxas”.

“Propagam falsos rumores de que a união entre ortodoxos e católicos romanos é iminente, embora saibam muito bem que as diferenças discutidas nesses diálogos teológicos são numerosas e que demandarão ainda um longo tempo de discussão.”

Também desmentiu que o Papa quisesse “submeter os ortodoxos” e rebateu a acusação de “heresia”, afirmando que não existe prova alguma de que, em seus contatos com os não ortodoxos, “a Igreja Ortodoxa tenha deixado ou negado os dogmas dos Santos Concílios Ecumênicos e dos Padres de nossa Igreja”.

Convite à unidade

O patriarca insiste em que a unidade querida por Cristo é a razão pela qual, com o “mútuo acordo entre todas as Igrejas ortodoxas locais, o Patriarcado Ecumênico vem, há décadas, conduzindo diálogos teológicos oficiais (pan-ortodoxos) com as diversas igrejas e confissões cristãs históricas”.

“O objetivo destes diálogos é a discussão, em espírito de amor, de todas aquelas coisas que nos separam, tanto na fé, como na organização e na vida da Igreja”, sublinha.

Também afirma que, “com sentimento de dever e de responsabilidade, apesar dos obstáculos e desavenças, o Patriarcado Ecumênico, na qualidade de primeira Igreja entre as igrejas ortodoxas, preocupa-se em resguardar e consolidar a unidade da Igreja Ortodoxa, para que num só coração e numa só voz seja confessada a fé ortodoxa de nossos Santos Padres, em cada época e, em especial, em nossos dias”.

Por isso, convida os fiéis a terem “plena confiança em vossa Mãe Igreja! Esta Igreja que se manteve incorruptível ao longo dos séculos e que transmitiu a ortodoxia da fé a outros povos. E segue hoje sua luta em meio a circunstâncias adversas, para manter a Ortodoxia viva e respeitada em toda a oikoumene”.

O documento completo (em inglês) pode ser lido em www.patriarchate.org/documents/sunday-orthodoxy-2010.