Patriarca de Constantinopla se une ao Papa no chamado às raízes cristãs da Europa

Em uma mensagem por ocasião da festa de Santo André

| 1223 visitas

Por Miriam Diez i Bosch

 

ISTAMBUL, terça-feira, 4 de dezembro de 2007 (ZENIT.org).- O patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, crê que hoje «é nossa obrigação, mais do que nunca, exigir as raízes cristãs da Europa e a unidade espiritual, sacramental e doutrinal que se tinha antes do cisma das duas Igrejas».

O líder ortodoxo o afirmou na sexta-feira passada a uma delegação enviada pelo Papa ao Patriarca de Constantinopla em Istambul (ortodoxo), na já tradicional visita de intercâmbio entre as duas Igrejas por ocasião da festa de Santo André (30 de novembro) e por São Pedro e São Paulo (29 de junho).

 «A reevangelização de nossos povos é hoje mais necessária que nunca», disse o patriarca.

 «Cremos que a Europa Oriental e a Europa Ocidental têm de deixar de olhar uma à outra como estrangeiras», sugeriu.

 «O contato entre cristãos da tradição latina e da fé ortodoxa tem de converter-se em mais produtivo para ambas partes», alentou.

 O patriarca Bartolomeu I, em uma carta dirigida ao cardeal Walter Kasper e aos membros do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade entre os Cristãos, referiu-se à delegação romana dizendo que «a presença reforça e sela os laços de amor e confiança entre nossas Igrejas, laços que se cultivaram nas últimas décadas e que se estabeleceram de maneira especial com a visita de Sua Santidade, nosso querido irmão em Cristo, o Papa Bento XVI».

 O patriarca fez esta afirmação um ano depois da visita de Bento XVI ao Patriarcado de Constantinopla.

 Afirmou também que «cremos sempre que a convivência pacífica dos cristãos, em um espírito de unidade e concórdia, deve constituir uma preocupação fundamental para todos nós».

 Bartolomeu I reconheceu que em uma época na qual há um auge do «secularismo e do relativismo, inclusive do niilismo, especialmente no mundo ocidental, temos de tirar inspiração do exemplo do apóstolo André» que soube «permanecer fiel através da força de Cristo», apesar de vicissitudes e de «numerosas dificuldades».

 O exemplo de Santo André oferece uma oportunidade para «rezar juntos mais intensamente pela restauração da unidade no mundo cristão» – incitou Bartolomeu I – que vê como «a fratura desta unidade foi a causa de muitos problemas na humanidade, cujas conseqüências foram trágicas».

 Bartolomeu I sublinhou que a filosofia do Iluminismo no Ocidente e a Revolução Francesa significaram uma verdadeira «revolução cultural que quis reempregar a tradição cristã prévia do mundo ocidental com um novo conceito não-cristão do homem e da sociedade».

 Isso levou a um «ateísmo militante e totalitário que nos dois últimos séculos causou a morte de milhões de vítimas inocentes».

 Dirigindo-se à delegação vaticana, disse que «neste ano estamos particularmente emocionados porque experimentamos a bênção particular e a graça de honrar o fundador e padroeiro da Igreja de Constantinopla, o glorioso e primeiro chamado entre os apóstolos, André, cujas relíquias sagradas foram generosamente doadas pelo amor de Sua Santidade durante nossa recente visita a Nápoles», expôs.

 As relíquias de Santo André regressaram desde Amalfi, na Itália, ao trono do Patriarcado com o objetivo de permanecer lá «para a santificação dos fiéis, como sinal de comunhão com o apóstolo».

 Bartolomeu I, conhecido também como «o patriarca verde» por sua defesa da ecologia, recordou que o encontro com o Papa em Nápoles, durante o qual se entregaram as relíquias em outubro deste ano, ajudou a cultivar «a atmosfera de amizade e cooperação entre nossas duas Igrejas».