Patriarca maronita leva consigo Líbano unido na diversidade

Em sua primeira visita a Roma para agradecer pela ‘communio ecclesiastica’

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ROMA, sexta-feira, 15 de abril de 2011 (ZENIT.org) - "Nossa esperança é que sua missão como patriarca seja espiritualmente fecunda como ‘comunhão e testemunho' no Líbano, Oriente Médio e na diáspora": estas palavras foram pronunciadas pelo superior geral da Ordem Maronita da Bem-Aventurada Virgem Maria, para receber o novo patriarca maronita em Roma, e são o tema central dos sentimentos e esperanças que acompanham a viagem do prelado ao Vaticano.

Sua Beatitude Bechara Boutros El-Raï chegou a Roma na segunda-feira, 11 de abril, para agradecer pela "communio ecclesiastica" concedida pelo Papa Bento XVI por ocasião da sua eleição e sua nomeação oficial como patriarca da Igreja Maronita, que teve lugar no dia 25 de março.

Líbano, uma mensagem de unidade na diversidade

A primeira etapa da visita de El-Raï foi o Colégio Santo Antônio Abade, da Ordem Maronita Mariameta, à qual o patriarca pertencia antes de sua eleição episcopal, ocorrida em 1986.

O abade Semaan Abou Abdo saudou o Patriarca em "sua casa", recordando os anos em que El-Raï vivia como monge no Colégio Maronita, completando seus estudos na Pontifícia Universidade Lateranense. Abou Abdo lembrou da atividade realizada por El-Raï como diretor da seção árabe da ‘Rádio Vaticano'.

Por sua vez, o patriarca El-Raï expressou sua gratidão à Ordem Mariamita, que o preparou e o fez amadurecer para se tornar pai e chefe da Igreja Maronita.

Em seu discurso, disse que tinha vindo a Roma "levando consigo a imagem de um Líbano que vive a unidade na diversidade" e explicou que o motivo de sua visita é expressar o amor da Igreja Maronita e do Líbano à Igreja de Roma.

O novo patriarca sublinhou a importância da missão do Líbano, "o Líbano da vida comum, o Líbano da unidade na diversidade, o Líbano democrático, o Líbano da convivência islâmico-cristã protegida pela Constituição, o Líbano terra das liberdades e da abertura ao mundo árabe e ocidental".

El-Raï confessou que extrai as suas forças do Sínodo dos Bispos, das ordens religiosas, sacerdotes, leigos e estruturas da Igreja; e agradeceu todo o carinho e apoio recebido após a sua eleição.

Escutando o espírito do Sínodo

Durante um jantar em homenagem ao novo patriarca, realizado no Colégio Santo Isaías, da Ordem Maronita Antoniana, o Pe. Daoud Reaidi, superior do colégio, destacou, entre os aspectos importantes desta eleição, a necessidade de "seguir a inspiração do Espírito Santo, que abre nossos olhos à compreensão da sua vontade".

O monge antoniano afirmou que a escolha de El-Raï é ​​"o início de uma colheita que resplandece no horizonte. É uma etapa no caminho de história da Igreja Maronita", na qual o novo patriarca oferecerá sua contribuição à dos seus antecessores.

O superior antoniano falou sobre as revoltas populares que abalaram todo o Oriente Médio e o Norte da África: um "despertar da liberdade, da cidadania e da democracia, que são os valores que desmentem todas as correntes totalitárias que alimentaram, de alguma maneira, o extremismo islâmico".

"Estes movimentos de renascimento - continuou - mostram que a busca da identidade no mundo árabe, o reconhecimento da diversidade e a abertura à convivência entre cristãos e muçulmanos são fatores que destacam a importância da experiência libanesa que se revela como mensagem e modelo neste momento concreto."

O novo patriarca, de 71 anos, nascido em Himlaya, uma aldeia montanhosa ao leste de Beirute (Líbano), foi nomeado oficialmente durante uma cerimônia realizada em 25 de março em Bkerke - a 25 km ao norte de Beirute -, que desde 1790 alberga a residência oficial do patriarca maronita.

A Igreja Maronita é uma comunidade ‘sui iuris' dentro da Igreja Católica; sempre esteve em comunhão com Roma, embora mantendo uma liturgia e um calendário próprios: celebra a sua liturgia em árabe, exceto nos cânticos antigos e nas orações ancestrais da Eucaristia, para as quais usa o aramaico.

Foi fundada por São Maron, que viveu entre os séculos IV e V como eremita, nas montanhas de Taurus, perto de Cirrus - uma cidade antiga no norte da Síria -, e que em vida ganhou fama como milagreiro e gozou de grande reputação como diretor espiritual.

Hoje, a Igreja Maronita possui mais de 3 milhões de fiéis e está presente no Líbano, Síria, Egito, Terra Santa e nos países da diáspora, como Argentina e Austrália.

(Robert Cheaib)