Paulo VI entendeu aonde se dirigia o homem ocidental

Crentes e não-crentes falam sobre o “espírito profético” da “Humanae vitae”

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ROMA, segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - Quarenta anos após a publicação da encíclica Humanae Vitae, quando fica claro o fracasso da revolução sexual, um livro que discute o valor das normas morais propostas por Paulo VI foi apresentado na última sexta-feira, 18 de fevereiro, na Universidade Lateranense, em Roma.

O estudo intitula-se: "Protetores da vida. Atualidade da encíclica Humanae Vitae", uma obra dirigida pela professora Lucetta Scaraffia, da Universidade La Sapieza.

Na apresentação, intervieram várias personalidades, entre elas Dom dal Covolo, que lembrou que a Humanae Vitae, uma encíclica publicada em 29 de julho de 1968, "torna-se mais atual à luz das novas descobertas científicas".

"Naquela época, a encíclica encontrou resistência até mesmo dentro da própria Igreja", disse ele.

Mas o texto "se mantém atual e restitui à sexualidade seu profundo significado espiritual, como um verdadeiro ícone do amor trinitário", explicou.

Por outro lado, a jornalista Ritanna Armeni, conhecida por sua participação em manifestações contra o aborto, declarou-se leiga não-crente, sem pretensões filosóficas.

Sua opinião é de que "a encíclica assumiu um significado profético", pois "prediz o homem moderno". A jornalista, entretanto, mostrou-se crítica com relação à posição da Igreja sobre questões como a coabitação pré-marital e a união entre pessoas do mesmo sexo.

O editor do jornal Il Foglio, Giuliano Ferrara, expressou sua opinião como um não-crente, mas antiabortista convicto. Considerou que havia uma base lógica, razão pela qual publicou a encíclica em seu jornal: "Eu pensei que seria possível agir diante da rejeição da vida, que não pode ser reduzida e maltratada até esse ponto".

O Pe. Hermann Geisler, FSO, da Congregação para a Doutrina da Fé, indicou como "as diferentes contribuições deste livro evidenciam", que "a Humanae Vitae, como toda a moral católica, é um grande ‘sim' à vida, à dignidade da pessoa e sobretudo ao amor conjugal".

Isso foi feito, disse ele, com cinco "sins": "ao projeto verdadeiramente humano; à dignidade da mulher e dos filhos; ao amor conjugal; à paternidade responsável e, portanto, também um ‘sim' a Deus Criador", disse.

Na conclusão de sua intervenção, qualificou a Humanae Vitae como "um dos documentos mais proféticos do magistério pontifício pós-conciliar".

A diretora da obra, professora Lucetta Scaraffia, recordou que ainda prevalece uma dificuldade de análise, devido a que 40 anos "ainda é um tempo muito breve, enquanto a Igreja vê tudo com uma sabedoria milenar".

Mas sublinha que, neste período, foram quebradas "as promessas de muitas utopias do século XX". Os opositores aos princípios da encíclica prometiam "uma família mais feliz, maridos mais atentos para não perderem suas esposas, uma sociedade mais feliz e pacífica". Em vez disso, vimos "como se tornou fraca a qualidade humana da sociedade".

A professora concluiu recordando que "Paulo VI tinha entendido aonde se dirigia a sociedade ocidental".

(Sergio Mora)