Paz exige promover o desenvolvimento de países pobres, diz Papa a Washington

Em seu discurso à nova embaixadora dos Estados Unidos na Santa Sé

| 667 visitas

CIDADE DO VATICANO, domingo, 2 de março de 2008 (ZENIT.org).- Bento XVI explicou essa sexta-feira, no discurso que entregou à nova embaixadora dos Estados Unidos na Santa Sé, Mary Ann Glendon, que a paz exige promover o desenvolvimento dos países pobres.

«A edificação de um futuro mais seguro para a família humana significa antes de tudo e sobretudo trabalhar pelo desenvolvimento integral dos povos», assegurou o Papa.

Este objetivo, acrescentou, deve ser conseguido «especialmente através de adequadas medidas de assistência à saúde, da eliminação de pandemias como a aids, de oportunidades educativas mais amplas para os jovens, da promoção da mulher, pondo freio à corrupção e à militarização que desviam recursos de muitos de nossos irmãos e irmãs nos países mais pobres».

De fato, declarou o Santo Padre, «o progresso da família humana é ameaçado não só pela praga do terrorismo internacional, mas também por atentados à paz como a aceleração da corrida de armamentos ou as contínuas tensões no Oriente Médio».

O Papa manifestou sua esperança «de que as negociações pacientes e transparentes levem à redução e à eliminação de armas nucleares e de que a recente conferência de Anápolis seja o primeiro de muitos passos para a paz duradoura na região».

A solução destes e outros problemas, segundo o bispo de Roma, «exige confiança e compromisso, o trabalho de organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas, que por sua natureza é capaz de promover o diálogo sincero e o entendimento e de reconciliar opiniões divergentes, assim como de aplicar políticas multilaterais e estratégias capazes de responder aos numerosos desafios deste mundo complexo e em rápida mudança».

Na promoção da paz, Bento XVI reconheceu com gratidão «a importância que os Estados Unidos prestaram ao diálogo interreligioso e intercultural como uma força positiva para a pacificação».

«A Santa Sé está convencida do grande potencial espiritual desse diálogo, em particular para a promoção da não violência e a rejeição das ideologias que manipulam e desfiguram a religião para objetivos políticos e justificam a violência em nome de Deus», assegurou.

Do mesmo modo, destacou «o apreço histórico do povo americano pelo papel da religião na vida pública e para iluminar as dimensões morais implicadas nas questões sociais – um papel contestado às vezes em nome de uma compreensão limitada da vida pública e do debate político».

Este papel, declarou, «se reflete nos esforços de muitos de seus compatriotas e líderes governamentais para assegurar proteção legal ao dom divino da vida desde sua concepção até sua morte natural, para salvaguardar o matrimônio, reconhecido como união estável entre um homem e uma mulher, assim como a família».