Peregrinação a Lourdes de políticos franceses

Segunda edição dirigida pelo padre Rougé

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Por Anita S. Bourdin

ROMA, quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010 (ZENIT.org).- Está sendo preparada a segunda edição da peregrinação a Lourdes para cristãos de vida pública francesa, coordenada pela associação Chrétien élu public.

Com iniciativa de vários parlamentares, a primeira peregrinação aconteceu em 2009. A edição de 2010 está para ser lançada. O padre Matthieu Rougé comprometeu-se a apresentá-la aos leitores de ZENIT.

Pe. Rougé, pároco da igreja de Santa Clotilde em Paris, é professor de Teologia na Faculdade Notre Dame (Colégio dos Bernardinos). É também diretor do serviço pastoral de estudos políticos. Nesse âmbito, assegura a presença da Igreja entre os deputados e senadores.

Como nasceu a ideia dessa peregrinação?

–Pe. Matthieu Rougé: Alguns parlamentares disseram que, entre as numerosas peregrinações propostas a Lourdes, era uma pena que não havia uma proposta específica para os políticos. Em ocasião dos 150 anos da primeira aparição de Maria a Bernadette, em 11 de fevereiro de 2008, estavam em Lourdes trinta parlamentares: foi para eles a ocasião de apresentar seu projeto a monsenhor Perrier e receber seu alento. O modelo adotado foi o de “congressos-peregrinações” dos médicos, que une atualização, reflexão e partilha. Foi definido em seguida convidar os políticos de todos os cargos: âmbitos municipal, departamental, regional, nacional e europeu. O caráter universal de Lourdes levou com naturalidade a abrir-se para os eleitos de outros países.

-Quais são as reações e os frutos?

–Pe. Matthieu Rougé: A primeira edição da peregrinação “cristã política” foi um verdadeiro momento de graça, reunindo mais de uma centena de políticos ao redor de intervenções repletas de conteúdo - monsenhor Perrier, monsenhor Brouwet, padre Quénardel, o abade de Citeaux... -, em clima de grande fraternidade, para qualquer que for o nível de responsabilidade de cada um (vereador de um povoado de duzentos habitantes ou um antigo membro do Governo...). Todos expressaram o desejo de que a proposta se renovasse no ano seguinte. No impulso da primeira peregrinação a Lourdes e para preparar a seguinte, foram desenvolvidas reuniões locais de políticos, nas dioceses de Havre, Angers, Paris, por exemplo.

–O grupo de amizade França-Santa Sé do Senado acaba também de fazer uma viagem a Roma: quer dizer que a “laicidade positiva” está fazendo seu caminho?

–Pe. Matthiu Rougé: Há que se distinguir o plano institucional, em que se situam os grupos de amizade da Assembleia e do Senado, e o caráter principalmente espiritual da peregrinação a Lourdes.

No primeiro caso, parlamentares de opiniões mais variadas se encontram com os responsáveis do Vaticano praticamente como fariam com outros Estados; no segundo, os políticos enraizados na fé ou em busca de suas raízes mais profundas têm um tempo de oração e de reflexão, à Luz do Evangelho. Dito isto, todos manifestam seu interesse pela palavra da Igreja, especialmente com os crescentes desafios enfrentados, cada vez mais difíceis (bioética, migrações, educação...).

Apesar das divergências persistentes em uma parte da sociedade francesa, há de fato uma liberdade nova em relação às questões espirituais e às luzes que a fé pode trazer a problemas éticos.

–Qual resultado esperar? Também para a Europa: o presidente Hans-Gert Pöttering acaba de participar da apresentação no Vaticano da mensagem de Quaresma de Bento XVI, por convite do cardeal Paul Joseph Cordes, e evocou os laços entre parlamentares cristãos no Parlamento europeu...

–Pe. Matthieu Rougé: É verdadeiramente importante que os responsáveis da cidade tenham, apesar do ritmo acelerado imposto por suas atividades, ocasiões de atualização, de formação e de fraternidade: sem vida espiritual é difícil ser perseverante, valente, audaz na esperança e na caridade; sem formação é impossível realizar discernimentos éticos verdadeiramente bem sucedidos; sem ocasiões de fraternidade, sente-se rapidamente isolado. Em contrapartida, quem vive verdadeiros momentos de atualização, de formação e de fraternidade sente-se tocado.

O que reserva a edição 2010 e como se inscrever?

–Pe. Matthieu Rougé: A peregrinação 2010 acontecerá de 8 a 11 de abril. Os principais conferencistas são: Dom Dagens, cardeal Barbarin e Marie-Hélène Mathieu. Dom Claude Dagens, bispo de Angouleme, membro da Academia Francesa, falará sobre “O futuro cultural e cultura das Igrejas e da Igreja na França”; Marie-Hélène Mathieu é a fundadora da Oficina de Deficientes, de Fé e Luz, e da primeira peregrinação de pessoas com deficiência a Lourdes em 1971; o cardeal Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon, irá propor uma reflexão sobre “Igreja, servidora de todas as pessoas”.

Um intercâmbio entre todos os participantes sobre a primeira encíclica social de Bento XVI, Caritas in veritate, será introduzida com um debate entre três parlamentares de diferentes correntes políticas.

A organização dessa peregrinação está coordenada pela associação Chrétien élu public, que convoca também encontros de cargos políticos locais. Está presidida por Charles Revet, senador de Seine-Maritime.

Existe a possibilidade inscrições online no link: http://spep.typepad.fr/spep/.