Peregrino da Caridade

O lema da visita de Bento XVI a Cuba

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Paloma Rives, enviada especial

ROMA,quarta-feira, 21 de março de 2012 (ZENIT.org) - Bento XVI escolheu Cuba como um dos destinos da visita pastoral à América Latina. A chegada é prevista para a tarde da próxima segunda-feira, 26 de março, no Aeroporto Internacional Antonio Maceo, em Santiago de Cuba. Logo depois, o papa celebrará uma missa pelos 400 anos da descoberta da imagem da Virgen de la Caridad del Cobre, a devoção mariana da ilha.

O jornal Granma publicou em seu editorial de 12 de março: "Nosso país terá a honra de acolher o Santo Padre com grande hospitalidade para mostrar a cultura, o patriotismo e o espírito de solidariedade e humanismo dos cubanos, que são revelados na história e na unidade da nação".

O jornal, conhecido por ser o órgão oficial do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, também declarou: "Vamos receber da mesma maneira, com a amizade que nos caracteriza, todos os milhares de peregrinos que estarão conosco naqueles dias certamente memoráveis".

Lembrando depois a histórica visita de João Paulo II a Cuba, há 14 anos, Granma prossegue: "Recebemos com os mesmos sentimentos o papa João Paulo II, que, antes de partir, falou do profundo impacto que experimentou naquela visita e agradeceu pela calorosa hospitalidade, expressão autêntica da alma cubana".

Alma cubana que revela todo o seu amor por aquela que é chamada de “Mambisa”, porque invocada pelos soldados “mambises” durante a guerra da independência, ou de “Cachita”, carinhoso diminutivo de “caridade”.

Esta devoção a Maria, Mãe de Cristo, na sua invocação como Virgem da Caridade do Cobre, é parte essencial da peregrinação do Santo Padre à ilha.

O cardeal Jaime Ortega, arcebispo de Havana, falando ao povo de Cuba em mensagem transmitida em rede nacional, disse sobre a visita de João Paulo II: "Ele foi muito aguardado, porque foi a primeira vez que um papa visitou Cuba. As condições especiais do nosso país eram tais que os olhos do mundo se concentraram naquela visita. Depois das declarações da Santa Sé, as apreciações da igreja em Roma foram positivas e amplamente discutidas, inclusive pelo então cardeal Ratzinger, que, evidentemente, sentiu o eco daquela viagem do papa a Cuba, guardando algo em seu coração".

Ortega explicou ainda por que Cuba foi incluída nesta viagem: "O papa quis incluir esta fase porque sempre teve no coração o desejo de visitar Cuba. Agora ele teve uma oportunidade única: as comemorações dos 400 anos da descoberta da imagem da Virgem da Caridade do Cobre. Em Cuba é um Ano Jubilar: os cubanos estão peregrinando ao santuário de El Cobre para visitar a padroeira. E o papa também quis vir como peregrino. É por isso que foi escolhido o lema Peregrino da Caridade para esta visita".

O cardeal de Havana acrescentou: "Milhares e milhares de cubanos, talvez milhões, foram encontrar Nossa Senhora. Não é o número o que nos impacta, mas os sinais da religiosidade deste povo: ver os cubanos na rua fazendo o sinal da cruz ou se ajoelhando à passagem da Virgem, ou levantando os braços durante as orações. O Papa vem reafirmar os valores que a fé cristã plantou no nosso país".

A Virgem da Caridade do Cobre, Padroeira de Cuba, foi encontrada boiando no mar, quatrocentos anos atrás, por três escravos das minas de cobre, que a levaram para o continente. A imagem de Maria, que depois se tornou a mãe do povo cubano e viajou por todo o país na companhia de crentes e de não crentes, receberá neste 26 de março o Peregrino da Caridade.