"Permanecei no meu amor"

Livro escrito por Dom Pedro Carlos Cipolini, bispo da diocese de Amparo, sobre a oração na vida do sacerdote

Amparo, (Zenit.org) Vanderlei de Lima | 471 visitas

Este é o título do livro, que tem por subtítulo “O presbítero discípulo e seu encontro com Cristo para participar de sua missão”, foi escrito por Dom Pedro Carlos Cipolini, Bispo da Diocese de Amparo (SP), e reproduz o conteúdo de um retiro que ele pregou ao seu clero em 2011.

Elaborado para auxiliar outros pregadores em diversas dioceses, a leitura da obra, mesmo fora de um retiro, traz importantes reflexões também aos religiosos e leigos, de modo que apresentaremos a seguir alguns de seus trechos que nos pareceram muito significativos:

“O retiro é um tempo privilegiado para escutar Deus falando dentro de nós, falando de mansinho (é a brisa que passa 1Rs 19,11-13), tentando mostrar seu plano para cada um de nós. Sim, Deus tem um plano para cada um! É necessário que cada um descubra qual é este plano, que o aceite, que o cumpra: Meu alimento é fazer a vontade de meu Pai (Jo 4,34). Um coração que escuta, aproxima-se cada vez mais daquele que é escutado. (p. 17-18)

Na página 31, vem outra importante lição sobre o sacerdote: “É preciso programar a vida de oração, reservar um espaço vital à oração. Neste ponto, ensinar a paróquia também pela ausência do padre por motivo de oração (fazer retiro, por ex.). Um padre cheio de qualidades e valores, mas sem oração, despojado da dimensão mística, pode ter charme, eficiência, mas falta-lhe uma coisa: estar vivo! Muitas vezes nos admiramos do pouco êxito de nossos esforços. Devemos perguntar se rezamos antes de agir ou durante a ação”.

Após citar o caso do Padre René Guerre, diocesano francês que atuou no Nordeste brasileiro nos anos 60, com muita luta, mas pouco êxito pastoral, Dom Pedro Carlos sabiamente comenta que “Sem a intimidade com Jesus, a missão fica estéril. Quem põe sua confiança, sua esperança nos homens não pode contar com a segurança que somente Jesus Cristo dá. Ele é inabalável, está sempre presente, a regra de fé são suas palavras contidas no Evangelho. Abraão esperou contra toda esperança (Rm 4,18) porque confiava em Deus e não só em um ‘projeto de Deus’ que ele nem conhecia qual era. Deus é o Deus da esperança (Rm 15,13) e a esperança não confunde (Rm 5,5); o trabalho do apóstolo deve ser feito na esperança: ‘quem lavra, quem debulha, faça-o na esperança’ (1Cor 9,10)” (p. 159).

Refletindo sobre as lágrimas de S. Paulo em 2Cor 2,4 e Fl 3,17, escreve o Bispo: “As lágrimas nos fazem entrever a intensidade emotiva com que Paulo vivia sua missão pastoral. Exatamente o oposto do funcionário, do burocrata, do mero cumpridor de um ofício, de uma lei. Paulo é homem de participação emotiva à qual corresponde também uma profunda alegria. Precisamente porque participava de maneira tão emotiva nos sofrimentos de seu ministério, podia extravasar alegrias e entusiasmos arrebatadores que encontramos com frequência em suas cartas” (p. 125).

Aliás, a vida do sacerdote deve ser a de doação total, conforme se lê em outro trecho do livro: “A vida do presbítero servidor do Reino, servidor do Povo de Deus, que tem caridade pastoral, tem de ser este contínuo sair de si, um contínuo não se pertencer, este perene ser conduzido onde não quer ir pelas suas inclinações naturais, este não se pertencer. ‘O padre não é um homem tirado do meio do povo, é um homem atirado no meio do povo, para ser devorado por ele como alimento que salva, feito a Eucaristia, assim me disse certa vez Côn. Milton Santana, já falecido. Questionei-o como o padre aguentaria isto, morreria estressado. Ele me respondeu com uma frase de S. Agostinho: ‘Quando se ama, não se cansa ou, se cansa, ama o cansaço’. O padre vai ao encontro do outro porque é aí que o conduz o amor e a obediência ao seu Senhor, que o escolheu e o tirou do meio dos outros homens a fim de ser no mundo sua boca, seus braços, suas pernas, seu ministro, enfim. Só quem ama vai servir e libertar o fraco, o pobre, o excluído. Quem vai a eles sem saber o que é amor, vai usá-los para satisfazer seus próprios caprichos” (p. 79-80).

Transparecem nas 192 páginas do livro, prefaciado pelo Cardeal Dom Raimundo Damasceno Assis, presidente da CNBB, a profundidade do teólogo, a firmeza do Bispo e a didática do professor.

Mais informações sobre o livro na Diocese de Amparo: (19) 3817 3434 ou diamparo@uol.com.br