Perseguição religiosa na Índia: tribunal supremo decepciona

Sentença sobre as atrocidades cometidas contra os cristãos do Estado de Orissa

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NOVA DÉLI, quinta-feira, 15 de janeiro de 2009 (ZENIT.org).- O arcebispo de uma das dioceses indianas mais afetadas pela sangrenta perseguição anticristã dos últimos meses expressou sua «profunda decepção» pela resolução do Tribunal Supremo sobre as atrocidades cometidas pelos extremistas no Estado de Orissa. 

Dom Raphael Cheenath, arcebispo de Cuttack-Bhubaneshwar, afirma que os documentos que recolhem as sentenças do Tribunal Supremo indiano sobre os atentados contra os cristãos no Natal de 2007 e no outono de 2008 são «terrivelmente decepcionantes». 

O prelado, em um comunicado da Associação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) recebido pela Zenit, afirma que, contrariamente ao que a imprensa indiana disse, as sentenças são  «imprecisas» e não recolhem os pedidos dos cristãos de aumentar a segurança. 

O tribunal havia sido requerido para pronunciar-se diante de um pedido do próprio prelado, que havia solicitado o aumento da proteção da polícia e das indenizações aos cristãos que perderam suas casas durante a onda de violência. 

Contrariamente a tudo que informou, o tribunal decidiu recortar a «rápida proteção policial» que o governo central pretendia colocar em andamento, assim como «abster-se de estabelecer algumas pautas claras para as indenizações».

Em uma entrevista concedida à AIS na segunda-feira passada, 12 de janeiro, Dom Cheenath denunciou que o conteúdo da sentença não corresponde ao que a mídia publicou. 

Em sua opinião, esta resolução «não será de grande consolo para os cristãos do distrito de Kandhamal, em Orissa, objetivo primordial das agressões». «Muitos cristãos têm ainda muito medo para voltar às suas casas e estão lutando por cobrir suas necessidades básicas com as indenizações que o governo lhes deu». 

O prelado explicou que está reunindo provas da necessidade de maior segurança e de aumentar os recursos econômicos, para apresentar alegações à sentença no prazo de um mês. 

«Entre as pessoas e também entre os funcionários da administração local, ainda reina o medo. Estes últimos são conscientes de que a situação continua sendo difícil e de que não se pode obrigar as pessoas a abandonarem os campos de refugiados para voltar a seus povos», acrescentou. 

O próprio Dom Cheenath, que recebeu ameaças de morte, não pôde visitar o distrito de Kandhamal até o fim de semana passado, já que não se podia garantir sua segurança.