Peru: cardeal Cipriani se reúne com candidatos à presidência

Fala da preocupação da Igreja pelo futuro do país

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LIMA, segunda-feira, 28 de março de 2011 (ZENIT.org) - "A Igreja está muito preocupada com o futuro do país", disse o cardeal Juan Luis Cipriani, arcebispo de Lima, para explicar as razões pelas quais, nos últimos dias, recebeu os candidatos à presidência da República do Peru.

"Há situações que exigem de mim, como pastor da Igreja, dizer que as visitas dos candidatos à minha casa tiveram a finalidade de explicar-lhes os princípios da Igreja, principalmente em relação à vida, à família, ao casamento entre um homem e uma mulher; e mostrar-lhes que esses valores fazem parte da cultura de uma nação", revelou o primaz do Peru no programa ‘Diálogo da Fé', no sábado 26 de março.

As próximas eleições gerais do Peru serão realizadas em 10 de abril de 2011, para eleger pessoas que ocuparão alguns dos mais altos cargos do Estado da República do Peru, incluindo a presidência, durante o período 2011-2016.

"Não se trata de confrontar ninguém, nem de interferir na política, mas essa identidade católica leva a Igreja e a mim a dizer que as mudanças e melhorias que ocorrem no processo de desenvolvimento de um país se dão de modo gradual", explicou.

O arcebispo de Lima disse que o Peru não tem nada a aprender com aqueles países nos quais ter dinheiro tornou-se seu deus e nos quais se matam milhões de criaturas de forma cínica.

"No caso concreto do aborto, ninguém pode autorizar o aborto eugênico nem aborto terapêutico. Quando há um embrião no útero, esse embrião tem vida e identidade próprias. Elimina-lo é assassinato", afirmou.

"Nós não queremos nem desejamos imitar desses países o homicídio de milhões de vidas. O cinismo de uma linguagem de saúde reprodutiva, o direito de escolher, do ‘eu sou o dono do meu corpo', é parte de uma terminologia nojenta", continuou ele.

Finalmente, pediu a todos os peruanos que assumam a responsabilidade diante de um momento tão importante do país, no qual é preciso ver claramente onde está o bem, pedir honestidade, eficiência, respeito e não acreditar em ofertas multitudinárias de mudanças e salários que não são verdade.

"Seria maravilhoso para o nosso país se todo o programa dessas políticas sociais tivesse um eixo: a promoção da família. Recuperemos a responsabilidade dos pais, facilitando o acesso à educação e à saúde, de forma razoável e gradual. Assim, podemos dizer que a Igreja respeita a autonomia da ordem democrática, sem estar envolvida na política partidária", refletiu.

"Neste tempo de Quaresma, continuemos neste caminho de purificação interior e não deixemos que tanto barulho nos faça esquecer do centro da nossa vida. Eu peço a Jesus, que tanto nos ama e espera, que nos ajude nestes tempos, para iluminar a decisão do povo peruano", concluiu.