Políticos devem dar testemunho da verdade e da justiça, diz cardeal

Dom Geraldo Agnelo recorda ensinamento do cardeal Vaz Thuán

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SALVADOR, sexta-feira, 26 de outubro de 2007 (ZENIT.org).- Em tempos em que, particularmente no Brasil, estendem-se os casos de dissociação entre ética e política, o cardeal primaz do país afirma que os políticos têm de dar testemunho da verdade e da justiça.



Para detalhar essa idéia, Dom Geraldo Majella Agnelo, arcebispo de Salvador (Bahia, nordeste do país), recorda um texto do cardeal François-Xavier Nguyen Van Thuán, ex-presidente do Conselho Pontifício «Justiça e Paz», falecido com fama de santidade em 2002.

Segundo o cardeal Agnelo, Van Thuán escreveu as que seriam «As Bem-aventuranças do Político». Ali, primeiramente, afirma que é «bem-aventurado o político que tem elevado conhecimento e profunda consciência de seu papel».

Também aquele cuja «pessoa reflete a credibilidade»; o que «trabalha para o bem comum e não para seu próprio interesse» e o que «se mantém fielmente coerente, com uma coerência constante entre sua fé e sua vida de pessoa comprometida na política; com coerência firme entre suas palavras e suas ações; com coerência que honra e respeita as promessas eleitorais».

«Bem-aventurado o político que realiza a unidade e, fazendo de Jesus Cristo seu ponto de partida, a defende»; também é «bem-aventurado o político que está comprometido na realização de uma mudança radical, e a faz lutando contra a perversão intelectual; o faz sem chamar de bem o que é mal; e não relega a religião ao privado; estabelece as prioridades de suas eleições baseando-se em sua fé; tem uma carta magna: o Evangelho».

Bem-aventurado é também o «político que sabe escutar, que sabe escutar o povo, antes durante e depois das eleições; que sabe escutar a própria consciência; que sabe escutar Deus na oração. Sua atividade brindará certeza, segurança e eficácia».

«Bem-aventurado o político que não tem medo: que não tem medo, antes de tudo, da verdade. A verdade não precisa de votos! Não tenha medo o político, dos meios de comunicação! No momento do juízo, ele terá que responder a Deus, não aos homens!»

O cardeal Agnelo recorda ainda as palavras de Bento XVI, falando aos bispos, na Conferência de Aparecida: «As estruturas justas são condição indispensável para uma sociedade justa; não nascem nem funcionam sem um consenso moral da sociedade sobre os valores fundamentais e sobre a necessidade de viver esses valores com as necessárias renúncias, inclusive o interesse pessoal».