Pontífice sublinha direito a trabalho seguro, digno e estável

No 30º aniversário da visita de João Paulo II à siderúrgica de Terni (Itália)

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ROMA, segunda-feira, 28 de março de 2011 (ZENIT.org) - A Igreja "sustenta, conforta, encoraja todo esforço dirigido a garantir a todos um trabalho seguro, digno e estável". Isto foi afirmado pelo Papa Bento XVI ao receber, no sábado 26, os 8 mil participantes da peregrinação da diocese de Terni-Narni-Amelia, no 30º aniversário da visita de João Paulo II ao complexo siderúrgico da cidade.

Recordando o encontro de João Paulo II com os trabalhadores de Terni, em 19 de março de 1981 - era a primeira vez que um Papa entrava em uma fábrica -, o Papa Bento XVI disse que "o trabalho é um dos elementos fundamentais, tanto da pessoa quanto da sociedade. As condições de trabalho difíceis e precárias tornam difíceis e precárias as condições da própria sociedade, as condições de uma vida ordenada de acordo com as exigências do bem comum".

O trabalho, destacou o Papa, a partir de uma perspectiva cristã, "ajuda a aproximar de Deus e outros. O próprio Jesus foi um trabalhador, passou inclusive boa parte da sua vida terrena em Nazaré."

"Já isso nos fala da dignidade do trabalho, incluindo a dignidade específica do trabalho humano, que se introduz no próprio mistério da redenção", acrescentou.

No entanto, muitas vezes o trabalho "é considerado apenas como um instrumento de lucro, e inclusive, em várias partes do mundo, como um meio de exploração e, portanto, de ofensa à própria dignidade humana".

Em muitos lugares, hoje, sublinhou o Papa, experimenta-se grande preocupação diante da crise econômica, da perda de empregos. O Pontífice quis destacar a proximidade da Igreja dos trabalhadores e de suas famílias.

"Eu estou perto de vós, deixando nas mãos de Deus todos os vossos desejos e preocupações, e espero que, na lógica de gratuidade e da solidariedade, seja possível superar estes momentos, para garantir um trabalho seguro, digno e estável", afirmou o Santo Padre.

Ele também quis dirigir um pensamento ao flagelo das mortes por acidentes de trabalho. "Eu sei que muitas vezes tivestes que enfrentar essa realidade trágica - disse o Pontífice. É necessário realizar todos os tipos de esforços para que a sequência de mortes e acidentes termine."

"Eu gostaria também de mencionar o problema do trabalho no domingo - continuou. Infelizmente, em nossa sociedade, o ritmo de consumo também pode roubar de nós o significado da festa e do domingo como dia do Senhor e da comunidade."

O Papa concluiu desejando que, com a lógica da gratuidade e da solidariedade, supere-se a crise econômica e se garanta um trabalho respeitoso da pessoa.