Pontifício Conselho Cor Unum apresenta seus números

Mais de 300 projetos apoiados em 2013 em 28 países da América Latina e da África, com enfático apoio humanitário na Síria

Roma, (Zenit.org) Sergio Mora | 340 visitas

A fundação Populorum Progressio para a América Latina e a Fundação João Paulo II para o Sahel, com orçamento de 3,6 milhões de dólares anuais, conseguem realizar mais de 300 projetos de desenvolvimento em 28 países. Esta informação foi divulgada pelo secretário do Pontifício Conselho Cor Unum, dom Giovanni Dal Toso, em reunião com jornalistas que participaram dos cursos de atualização sobre a Igreja, na universidade romana da Santa Cruz.

A quantidade de pequenos projetos de desenvolvimento é enorme diante da quantidade de dinheiro disponível. Os recursos provêm em grande parte das conferências episcopais da Alemanha e da Itália e conseguem ser muito bem aproveitados graças à não existência dos custos altíssimos de intermediação, comuns em diversas outras entidades internacionais. Desde 1992, a Fundação Populorum Progressio realizou 3.834 projetos.

Dom Dal Toso recordou que João Paulo II instituiu a fundação para o Sahel em 1984 para lutar contra a desertificação daquela parte da África. Em 1992, ele criou a Populorum Progressio para ajudar as populações rurais da América Latina e do Caribe, confiando as suas tarefas ao dicastério Cor Unum. Os responsáveis pelo Pontifício Conselho Cor Unum são seu presidente, o cardeal Robert Sarah, o secretário, dom Dal Toso, e o subsecretário, Segundo Tejado Muñoz. O orçamento total do Cor Unum é de 4 milhões de dólares.

Dal Toso lembrou ainda que existem dois secretariados para atender as fundações, um na capital de Burkina Faso, Ouagadougou, e o outro na capital da Colômbia, Bogotá, para onde são enviadas as propostas de projetos. As propostas são avaliadas e, se aprovadas, passam a ser fiscalizadas por uma equipe de especialistas. As duas fundações são geridas por bispos locais, nove no Sahel e seis na América Latina.

O Sahel, lembro o secretário do Cor Unum, é a região africana composta por seis países da África equatorial: Burkina Faso, Cabo Verde, Chade, Gâmbia, Guiné Bissau, Mali, Mauritânia, Níger e Senegal.

Os projetos apoiados pelas fundações “demostram a atenção tangível que a Igreja oferece a esses países” e favorecem o diálogo inter-religioso, já que, na África, os destinatários mais numerosos dos projetos são muçulmanos. Além disso, revelam a proximidade do Santo Padre para com as pessoas em dificuldade.

Dal Toso destacou também outro aspecto das fundações: depois de 30 anos de trabalho, elas “se tornaram não somente centros de financiamento, mas também lugares de intercâmbio de experiências”; por isso, elas “realizam cursos de formação que ensinam a preparar os projetos”.

Durante a conversa com os jornalistas, o secretário do Cor Unum destacou que a filosofia de ambas as fundações é realizar projetos comunitários e não de tipo pessoal. Em alguns casos, o dinheiro é emprestado e retorna pouco a pouco à fundação, que poderá, assim, criar novos projetos.

Entre as propostas que mais o impressionaram, Dal Toso destacou: “Uma foi para a inclusão profissional de 91 jovens com deficiências mentais. Mas há muitos outros projetos importantes, como os de irrigação por gotejamento, de escavação de poços e muitos de formação da mulher, particularmente na África”.

Da América Latina, ele citou “um banco de alimentos que custou 100 mil dólares” e “um curso de formação e inserção profissional para mães de menores de cinco anos, em Arequipa, no Peru”. Dal Toso reconhece que os custos nos países em desenvolvimento são muito menores que no mundo desenvolvido: “Já vi a construção de uma escola com apenas 5 mil euros”.

Ao encerrar, o secretário recordou que, nos projetos de cooperação, é necessário manter viva a ideia da promoção integral: “Este é um grande desafio no mundo humanitário”. A pergunta a ser feita não é apenas sobre o tipo de ajuda em questão, mas, principalmente, sobre o quanto esses projetos promovem a autonomia e a liberdade da pessoa beneficiada. “A Igreja reitera sempre a centralidade da pessoa. Isto significa promover todas as suas dimensões, com ênfase na liberdade, para que elas mesmas tenham a capacidade de decidir”, superando modelos como os da década de 1970, que propunham ajudar primeiro nas necessidades materiais e depois no âmbito cultural. Hoje, privilegia-se a ideia de um desenvolvimento integral.

Síria

Sobre a situação da Síria, dom Dal Toso declarou que “o Cor Unum, hoje, por vontade do papa Francisco, está dando prioridade a esse país. A presença da Igreja acontece através da assistência e da promoção do direito humanitário. Os esforços da Igreja na Síria são enormes, em pessoal e em ajudas”, com um trabalho muito importante também na coordenação. As ações cobrem quase todo o território sírio, apesar das “muitíssimas limitações e da escassez de meios”, e se apoiam numa estrutura capilar.

“No dia 6 de dezembro, numa reunião com os bispos da região em Beirute, eles comentaram que as pessoas nos procuram porque não sabem para onde ir. Elas entendem que o bispo é também um pai”.