Porta-voz vaticano: catástrofe no Golfo do México, lição de humildade

Análise do Pe. Federico Lombardi SJ, diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé

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CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 21 de junho de 2010 (ZENIT.org). - A catástrofe ecológica da "maré negra" provocada pelo vazamento de petróleo no Golfo do México deve servir como lição de humildade para todos os empreendimentos humanos, não apenas para a indústria de energia, explica o porta-voz vaticano.

O diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé fez um balanço destes quase dois meses de vazamento de petróleo após a explosão ocorrida na plataforma Deepwater Horizon, operada pela companhia petrolífera BP (British Petroleum).

"As dimensões deste desastre são dificilmente calculáveis, mas são certamente enormes e continuam a aumentar", reconhece o porta-voz no último editorial do Octava Dies, semanário do Centro Televisivo Vaticano.

"Vêm à mente outros gravíssimos desastres ambientais ligados às atividades humanas, como o da indústria química de Bhopal (à época operada pela companhia norte-americana Union Carbide, mais tarde adquirida pela Dow), na Índia, em 1984, ou ainda o acidente com a central nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, ocorrido em 1986, que causaram um número de mortes e danos ainda maiores".

"O que choca neste caso não é apenas o sentimento de impotência e a demora em encontrar uma solução diante do desastre, por parte de uma das maiores e mais bem equipadas multinacionais do ramo do petróleo de todo o mundo, mas também da parte da nação mais poderosa da terra".

"Pode parecer incrível, mas é um fato. Não se trata da erupção de um vulcão, mas de um buraco relativamente pequeno feito pelo homem no fundo do mar. E no entanto, transcorridos dois meses, cientistas e engenheiros especializados não foram capazes de tapá-lo".

"Saberemos tirar uma lição de prudência e atenção no que se refere ao uso dos recursos da terra e ao equilíbrio do planeta?", indaga Pe. Lombardi.

Em decorrência desta catástrofe, "certamente muito mudará no campo da exploração petrolífera, a fim de torná-la mais segura. Mas talvez pudéssemos também tirar do ocorrido uma lição de humildade", acrescenta.

"A técnica sempre fará progressos. Mas, se em processos produtos relativamente simples esta manifesta tal impotência, como agiremos diante de processos muito complexos, como aqueles que se referem à energia encerrada no interior do núcleo da matéria ou ainda nos processos envolvidos na formação da vida?".

"Tinha razão Bento XVI ao concluir, em sua última Encíclica, que os grandes problemas que desafiam a humanidade hoje constituem um capítulo sobre a responsabilidade no uso da técnica", conclui o Pe. Lombardi.