Porta-voz vaticano festeja 50 anos de profissão religiosa

Uma vida “transcorrida a serviço da Igreja”

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CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 17 de novembro de 2010 (ZENIT.org) – Uma vida “transcorrida a serviço da Igreja”. Assim se pode definir a do padre Federico Lombardi, S.J., diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, que no dia 12 de novembro festejou os 50 anos de profissão religiosa.

Em uma entrevista concedida a Rádio Vaticano, o sacerdote jesuíta percorreu o caminho que o levou a eleger a vida religiosa, recordando sobretudo um episódio ligado à Sagrada Família, o templo de Barcelona cuja dedicação o Papa presidiu no dia 7 de novembro.

Federico Lombardi, italiano de Piemonte, confessou ter passado “uma juventude belíssima”, que recorda “com grande alegria”: “seja porque minha família era muito unida, também muito religiosa, seja porque vivi em ambientes educativos que recordo com grande gratidão: tanto a escola dos jesuítas como o oratório e as atividades com os jovens dos salesianos”.

“Quando cheguei aos 18 anos e terminei a escola secundária, naturalmente se colocava o problema de como continuar minha vida: diria que a decisão de dedicar minha vida a serviço do Senhor e dos demais foi bastante espontânea naquele momento”.

“Foi-me natural ir pedir à Companhia de Jesus para ali ingressar, ainda que conservasse grande amizade e proximidade também com os salesianos.”

Ao final de sua formação religiosa e sacerdotal, seus superiores o enviaram a Roma para trabalhar em La Civiltà Cattolica, revista cultural dos jesuítas.

“Desde então até hoje fiquei neste campo, fazendo sempre o que me era pedido”, contentou. “Depois de 11 anos em La Civiltà Cattolica, fui durante seis anos superior provincial dos jesuítas italianos, e depois desse cargo, fui enviado ao Vaticano, como diretor de Programas de Rádio Vaticano.

Barcelona

Entre os episódios significativos de sua vida, o padre Lombardi recorda quando, aos 13 anos, com os escoteiros do Oratório dos salesianos, fez sua primeira grande viagem de bicicleta pela Europa, partindo de Turim até Barcelona.

“Chegando a Barcelona, não sabendo aonde ir, em certo momento vimos quatro agulhas muito altas e dissemos: ‘vamos ali’. Era a fachada do Naixement da Sagrada Família, que então estava muito atrás em sua construção.”

“Aos 13 anos, o primeiro ponto de chegada de minha longa viagem de bicicleta era exatamente onde o Papa recitou o Angelus no dia 7 de novembro passado.” 

“Pude comprovar, a 55 anos de distância, como tinha crescido este edifício, e pensei também em minha vida, em como se desenvolveu no serviço à Igreja, partindo precisamente desse dia”, afirmou.

Comunicar

Quanto a sua missão no setor de comunicações da Santa Sé, Lombardi considera “absolutamente fundamental” que os serviços relativos aos acontecimentos do Papa e da Igreja sejam vistos “não só como uma realização eficiente”. Mas “como o resultado de uma comunidade de trabalho, de pessoas que se sentem chamadas a fazer um serviço à Igreja hoje no campo da comunicação”.

Sobre sua relação com Bento XVI, ele afirmou que “às com ele basta um olhar, basta uma palavra”.

“É uma pessoa imensamente atenta, que escuta com grande atenção, amabilidade e profundidade o que o outro diz. Creio que também nós deveríamos ter com ele a mesma atenção, porque as frases que ele diz são muito mais importantes que as nossas”, disse.