Pré-Renascimento em Roma

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Por Elizabeth Lev

ROMA, domingo, 25 de maio de 2008 (Zenit.org).- Muitos ligam o Renascimento em Roma a Michelangelo e Rafael e suas obras-primas nos Museus Vaticanos, mas esse florescimento extraordinário do século XVI nunca poderia ter acontecido sem as contribuições dos séculos anteriores.

«Il '400 a Roma» estreou no início de maio no Museo del Corso, em Roma. A exposição quer abrir nossos olhos para a beleza da arte e da arquitetura daquele efervescente renascimento da cidade.

A exibição é dividida em cinco partes, enfatizando os principais fatores da renovação de Roma: a cidade, os papas, a antiguidade, a sociedade e a arte.

Após a queda de Jerusalém em 1187, mais e mais peregrinos afluíram para Roma para ver os locais santos da cidade. Com o primeiro Jubileu do ano 1300, Roma se tornou a principal meta de peregrinação do mundo.

Mas a glória durou pouco. Em 1307, o papado mudou-se para Avignon, e Roma sofreu quase um século de esquecimento.

No amanhecer do século XV, Roma estava novamente em ruínas. Esgotos a céu aberto e construções decadentes a lançavam longe da glória dos dias de “caput mundi”, ou cabeça do mundo.

Um grande mapa conduz o visitante a este mundo -- não um tipo de guia turístico, mas uma imagem da própria Roma de 1400. Ícones em miniaturas aproximam igrejas e ruínas. As construções podem estar em ruínas, mas Roma sabe que, espiritualmente, ainda é o centro do mundo.

Entra o papado. A eleição do Papa Martinho V (Odo Colonna), em 1417, encerrou o Grande Cisma e efetivamente fez retornar o papado a Roma.

Descendente de uma antiga família romana, Martinho V iniciou a restauração da cidade. Seus sucessores continuaram o trabalho. A incrível reviravolta de Roma foi impulsionada pelo papado, que vislumbrou o esplendor temporal da Cidade Eterna como um símbolo da grandiosidade do reino dos céus.

Medalhões e retratos dos papas permitem que os visitantes contemplem as faces desses sucessores de São Pedro que redesenharam a cidade. Cruzes processionais de prata e detalhados relicários brilham nos cenários da mostra.

Um busto de prata contendo a preciosa relíquia de Santa Margareth revela a face delicadamente modelada em traços de prata e ondulados cabelos de ouro. Seu colar cintila de jóias, como o dragão de ouro esculpido ao redor da base.

A importância desses objetos deslumbrantes fica ilustrada num pequeno painel que mostra aleijados, pobres e peregrinos contemplando admirados o brilhante relicário. Essas imagens da beleza terrena, em meio a um mundo de sofrimento e miséria, oferecem um lampejo das maravilhas do céu.

Iluminadora do caminho para a Roma do Renascimento foi a vivacidade da arte e arquitetura antigas espalhadas por toda a cidade. Desenhos da Casa de Ouro de Nero, da Coluna de Trajano, como tantos outros monumentos, estimularam a inspiração dos artistas da época.

O resultado foi o renascer dessas artes. Dezenas de pinturas reunidas num grande salão chamam a atenção dos visitantes para os grandes nomes da arte do século XV. Andrea Mantegna, Masaccio, Donatello e Fra Angelico são alguns dentre tantos exemplos do talento que passou por Roma durante os anos 1400.

A chegada dos grandes artistas inspirou os artistas romanos a alcançarem novas alturas na arte. O pintor Antoniazzo Romano e o escultor Paolo Romano produziram magníficos trabalhos, que estão orgulhosamente expostos na mostra, combinando novas técnicas trazidas pelos artistas estrangeiros com sua peculiar visão romana da monumentalidade.

«Roma nos anos 1400» fica em cartaz até o dia 7 de setembro e oferece aos visitantes uma rara oportunidade de apreciar a fértil e instigante era artística que estabeleceu as bases daquilo que viria a ser a obra revolucionária de Michelangelo e Rafael.

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Elizabeth Lev ensina arte e arquitetura cristãs no campus de Roma da Duquesne University.

[Traduzido por inglês por Alexandre Ribeiro]