Pregação dos exercícios espirituais inacianos (3)

Como melhorar a pregação sagrada: coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor e professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 948 visitas

Continuamos a exposição sobre a pregação dos exercícios espirituais inacianos. Vimos até agora o que eles são e qual é a sua finalidade, o modo de fazê-los, a duração e como vivê-los (1). Repassamos também os temas que devem ser abordados na primeira semana (2). Hoje veremos os temas da segunda semana dos exercícios espirituais.

TEMAS DA SEGUNDA SEMANA

Santo Inácio de Loyola abre a segunda semana com a meditação sobre o chamado de Cristo Rei ao grande empreendimento da redenção. Cristo chama por amor e livremente quem Ele quer, onde quer, como quer, convidando a segui-lo sem esconder as condições: renunciar a si mesmo, tomar a cruz e segui-lo. Promessa? A sua própria Pessoa divina, a sua amizade e o seu amor, e, depois, a vida eterna.

Seguem-se as meditações sobre a Encarnação, o Nascimento, a Vida Oculta e a Vida Pública de Jesus, com o objetivo de conhecê-lo mais para mais amá-lo e segui-lo na liberdade e no amor. Jesus fez tudo isso por nós para nos reconquistar. E nós, o que estamos dispostos a fazer por Cristo?

Parte-se dos textos dos evangelhos e procura-se fazer não mais uma meditação mental, como na primeira semana, e sim uma contemplação: ver os personagens, ouvir o que eles dizem e como reagem, entrar na cena e deixar-se interpelar pela mensagem que Cristo quer nos dar nessa meditação-contemplação. Saímos da meditação com decisões da vontade, e não apenas com sentimentos e emoções do coração.

Nesta semana, recomenda-se o seguinte ao pregador:

Apresentar os pontos com um texto bíblico e em forma de meditação-contemplação, e não em forma de palestra.Com apenas uma ideia ou verdade, em vários aspectos coerentes, lógicos e estruturados, a partir do texto bíblico.Portanto, evitar pontos que pareçam “três mundos diferentes e desconexos”. “Não é o muito falar, não são as muitas ideias o que satisfaz a mente e a alma”.

Pontos apoiados no magistério de algum Santo Padre que ilustre o mistério contemplado.

De forma original, sim, mas sem querer esgotar todos os aspectos dessa verdade ou o aspecto que se medita. Apresentar a beleza e a objetividade da mensagem de Deus nesse texto, mas sem focar muito na parte moralista, embora ela também seja necessária. A parte moral é justamente o que Deus tem a pedir do exercitante, em seu momento de solidão na oração.

Pontos expressos com brevidade, austeridade e sem muitos recursos oratórios (imagens, exemplos, contos), para não perturbar o clima de oração e de diálogo com Deus. No entanto, deve-se mostrar, na expressão e na exposição, a intimidade e o fervor diante dos mistérios contemplados e expostos ao exercitante. Não se trata tanto de erudição quanto de vibração, de entusiasmo e de ressonância espiritual no apresentar a Pessoa divina de Cristo, um Cristo que se fez homem cheio de amor e de carinho. O pregador sagrado deve entusiasmar com a Pessoa de Cristo. A expressão deve ser cálida, vívida, convicta, positiva e entusiasta. O pregador deve comunicar-se com o auditório, em vez de apenas ler.

Continuaremos…

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Caso você queira se comunicar diretamente com o Pe. Antonio Rivero escreva para arivero@legionaries.org  e envie as suas dúvidas e comentários.