Pregação ou palestra demonstrativa

Como melhorar a pregação sagrada: coluna do Pe. Antonio Rivero, L.C., professor de Teologia e Oratória no seminário Mater Ecclesiae de São Paulo

São Paulo, (Zenit.org) Pe. Antonio Rivero, L.C. | 1226 visitas

Hoje nos corresponde explicar o discurso ou palestra demonstrativa. Já vimos o discurso explicativo, o discurso persuasivo e o discurso emotivo.

Toda palestra ou discurso demonstrativo está dirigido especialmente à razão. Lembrem-se que a palestra ou discurso explicativo estava dirigido sobretudo à mente que queria explicação clara. A palestra persuasiva se dirigia à vontade que pedia motivos fortes. A palestra emotiva à sensibilidade para comovê-la. Esta agora, à razão. 

Em todo discurso demonstrativo queremos demonstrar uma verdade para que os ouvintes se convençam, desterrando seus prejuízos teóricos ou práticos. Aqui o pregador usa argumentos e silogismos para que a razão do ouvinte derrube os muros dos prejuízos. É importante este discurso porque existem prejuízos mentais e afetivos, por trás dos quais pode-se esconder uma atitude de vida contrária a Deus e à sua santa Lei. Por isso, muitos não querem mudar de vida. Já dizia Santo Agostinho que alguns negam a Deus porque lhes convém que não exista para continuar fazendo o que quiserem.

I - Primeiro, coloquemos as características deste  discurso demonstrativo:

Com sempre tenho que dar um único tema, de forma razoável, desenvolvido em dois ou três aspectos lógicos, estruturados e contundentes.

Tenho que demonstrar tudo com fortes e sólidos argumentos científicos, filosóficos e teológicos que desfaçam os preconceitos mentais ou afetivos do ouvinte.

Tenho que pronunciá-lo com grande força argumentativa, agilidade, ironia. Normalmente são pessoas muito inteligentes que nesse momento estão me escutando.

Tenho que dar exemplos que provem essa verdade que estou demonstrando.

E, no final, é sempre aconselhável dar uma citação de um Santo Padre sobre o assunto, porque citar um Santo Padre é como subir em ombros de gigantes.

II - Em segundo lugar demos agora o esquema de todo discurso demonstrativo:

Uma introdução firme, forte, decidida, colocando o problema existencial, filosófico ou teológico. Ajuda dar algumas estatísticas ou colocar um caso concreto.

Proposição clara, enunciando as provas que depois demonstrarei com vigor, contundência e convicção.

Desenvolvimento do tema com silogismos científicos, filosóficos e teológicos, bem provados e com exemplos.

Uma conclusão clara e contundente. O ouvinte tem que sair com a mente bem clara. Que aceite ou não essa verdade que o pregador expôs, é outro tema, porque o orador não pode obrigar ninguém.

III - Em terceiro lugar, ofereço-lhes o esquema de um possível discurso demonstrativo. Quero demonstrar a existência de Deus. Primeiro, Deus existe, amigo, e a ciência nos dá a razão (trazer aqui argumentos científicos que provem isso). Segundo, Deus existe, e a filosofia apoia essa afirmação (explicar as provas da existência de Deus dos grandes filósofos). Terceiro, Deus existe, assim o prova também nosso coração feito para Deus, como nos dizia Santo Agostinho no começo do seu livro “Confissões”. Por tanto, Deus sempre existirá, acredite ou não acredite, porque a existência de Deus não depende de você.

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Padre Antonio Rivero tem licenciatura e doutorado em Teologia Espiritual pelo Ateneu Pontifício Regina Apostolorum em Roma. Atualmente exerce seu ministério sacerdotal como professor de teologia e oratória, e diretor espiritual no Seminário Maria Mater Ecclesiae do Brasil.

Caso você queira se comunicar diretamente com o Pe. Antonio Rivero escreva para arivero@legionaries.org  e envie as suas dúvidas e comentários.

[Traduzido do original espanhol por Thácio Siqueira]